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Defendia o secularismo e por isso foi morto à catanada

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Nos últimos três meses, três defensores da separação de poderes no Bangladesh foram assasinados. O último foi o blogger Bijoy Das, esta terça-feira, quando seguia a caminho do banco.

Ananta Bijoy Das, blogger que defendia o secularismo, foi assassinado na manhã desta terça-feira, no Bangladesh. Foi a terceira vítima do fundamentalismo religioso neste país de maioria muçulmana em menos de três meses. 

Bijoy Das dirigia-se ao banco quando quatro homens com as caras tapadas e catanas nas mãos aproximaram-se. Os agressores golpearam o blogger até à morte, na cidade de Sylhet, nordeste do Bangladesh, de acordo com as declarações de altos funcionários da polícia à Reuters. 

"Ao longo deste último mês, [Das] tinha recebido várias ameaças de extremistas por aquilo que escrevia. Ele estava na sua lista de alvos", disse Debasish Debu, amigo de Das, à AFP, referindo-se a uma suposta lista de bloggers ateus ameaçados por militantes islâmicos. 

Antana Bijoy Das tinha 33 anos e escrevia para 'Mukto Mana', ou mente livre, um site que se opunha ao fundamentalismo religioso. Segundo amigos seus, apesar de escrever para o site e defender o secularismo, Das concentrava-se sobretudo em matérias científicas. Era editor de uma revista local e publicou vários livros sobre a matéria.

"Ato de terrorismo global"
O fundador do 'Mukto Mana', Avijit Roy, foi a primeira vítima, assassinado a 26 de fevereiro deste ano, quando voltava com a esposa de uma feira do livro em Daca, capital do Bangladesh. 

A viúva, Rafida Bonya Ahmed, que perdeu um dedo durante o ataque, apelidou o assassínio do marido de "ato de terrorismo global", numa entrevista à Reuters publicada esta segunda-feira, horas antes da morte de Bijoy Das. 

A Al-Qaeda do Subcontinente Indiano reivindicou a morte de Avijit Roy na semana passada.

Quando Washiqur Rahmad, outro escritor laico, se revoltou pela morte do fundador do 'Mukto Mana' nas redes sociais, tornou-se um alvo dos radicais. E foi assassinado a 30 de março. 

Escritores que defendem a separação de poderes entre os campos político e religioso têm sido alvo de grupos extremistas islâmicos no Bangladesh desde há vários anos. O seu objetivo é tornar o país, com mais de 160 milhões de habitantes (90% dos quais muçulmanos), num Estado baseado na sharia (direito islâmico).