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Varoufakis critica: nós é que temos cedido mais. Varoufakis admite: estamos a ficar sem dinheiro

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ANGELO CARCONI / EPA

"A questão da liquidez é um assunto terrivelmente urgente. Toda a gente sabe disso", diz o ministro das Finanças grego.

Quem tem cedido mais nas negociações entre gregos e credores? Yanis Varoufakis diz que tem sido o governo do Syriza. E que é principalmente graças aos esforços do executivo a que pertence que se tem chegado a alguma convergência nas reuniões com o chamado Grupo de Bruxelas (ex-troika), onde se sentam também os representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia. 

Do lado do Eurogrupo, os ministros das Finanças do euro salientaram esta segunda-feira "a reorganização e simplificação dos métodos de trabalho" e destacaram os progressos conseguidos, curiosamente depois de Alexis Tsipras ter decidido mexer na equipa de negociadores gregos e substituído, na coordenação, Varoufakis por Euclid Tsakalotos. 

Ao mesmo tempo que apontaram os progressos, os países do euro – principais credores da dívida grega – reforçaram também que é preciso “mais tempo e mais esforços” para que se chegue a um entendimento comum. Segundo o comissário europeu para os Assuntos Económicos, as reformas do mercado laboral e das pensões continuam a estar na origem das divergências. Pierre Moscovici adianta todavia que se avançou em matéria de reforma do IVA. 

Fora da declaração final ficou a referência aos constrangimentos de liquidez que a Grécia atravessa. “A questão da liquidez é um assunto terrivelmente urgente. Toda a gente sabe disso”, voltou a admitir Yanis Varoufakis, na conferência de imprensa final. “Em termos de calendário, estamos a falar das próximas (duas) semanas”, adiantou o responsável pela pasta das Finanças gregas.  

O presidente do Eurogrupo tem noção do problema e diz que é preciso chegar a um acordo "tão rápido quanto possível". Já antes de entrar para a reunião, Jeroen Dijsselbloem tinha alertado para a possibilidade da Grécia entrar em bancarrota. “Esperemos que seja alcançado um acordo antes que esse ponto seja atingido”, disse.  

A menos de dois meses de terminar o prazo de extensão do resgate grego (termina a 30 de junho), Maria Luís Albuquerque diz que “a alternativa de não se encontrar uma solução é seguramente pior para todos” e que essa pressão deve servir de “motivação importante para que se consiga encontrar um acordo”.

JULIEN WARNAND / EPA

A ministra portuguesa mostra-se ainda disponível para a marcação de uma reunião extraordinária do Eurogrupo, antes da próxima reunião regular de 18 de junho. Até lá é preciso um “acordo abrangente”, seguindo-se a implementação das reformas. Só depois o Eurogrupo poderá desbloquear os mais de sete mil milhões de euros que restam no programa de assistência financeira.  

A “implementação” das medidas volta a ser apontada como fundamental. Segundo Dijsselbloem, podem dar-se desembolsos parciais à medida que as medidas vão sendo implementadas.  

O Presidente do Eurogrupo alerta, no entanto, que se houver uma consulta popular sobre as reformas na Grécia – como deu a entender o primeiro-ministro grego – as medidas não começarão a ser implementadas “antes de se fazer o referendo”, o que atrasaria o processo de desembolso do dinheiro. Simultaneamente, Dijsselbloem quis deixar claro que essa é uma decisão do governo e não do Eurogrupo.  

Já esta tarde, o ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, tinha desafiado o governo grego a avançar com um referendo. “Seria talvez uma medida acertada deixar o povo grego decidir sobre se que quer aceitar as condições necessárias ou se quer outra coisa”, referindo-se à sugestão de Alexis Tsipras em realizar uma consulta popular caso as negociações com os credores comprometessem o mandato eleitoral para o qual foi eleito.  

Com ou sem referendo, o ministros do euro quiseram passar uma mensagem de optimismo. A declaração final do Eurogrupo é o sinal de que há alguma convergência no meio da divergência com o governo grego. O documento continua a repetir o discurso de que é necessário um maior esforço e que o governo grego "deve acelerar o trabalho com as instituições".  

As linhas vermelhas do governo helénico parecem ser as mesmas dos credores: reformas no mercado laboral e pensões. Nenhum dos lados deu para já um sinal de que vá ceder nos próximos dias.