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Referendo. A nova arma dos credores para pressionar a Grécia

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FRANÇOIS LENOIR/Reuters

Foi à chegada para a reunião desta tarde do Eurogrupo que Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das Finanças, lançou o desafio. Também o presidente do Parlamento Europeu sugeriu algo muito semelhante.

Sem grandes rodeios, o ministro alemão das Finanças largou a bomba esta segunda-feira: “Se a Grécia quiser fazer um referendo, poderá ser útil”. Foi em Bruxelas, à chegada para a reunião do Eurogrupo, que Wolfgang Schäuble admitiu que colocar a decisão nas mãos do povo grego pode ser a solução para a falta de entendimento entre o governo grego e os credores.

Sem especificar qual a pergunta que deveria ser colocada à população grega, alguns órgãos de comunicação avançam que Schäuble insinuava que Atenas deveria questionar sobre a forma de chegar a acordo com os parceiros europeus para o pagamento da sua dívida. 

O ministro alemão acrescentou ainda que a equipa de Alexis Tsipras não deve recear as decisões dos seus cidadãos. “O governo tem o amplo apoio popular, é um mandado recente, não devem ter de maneira nenhum medo da vontade do povo”, referiu Schäuble.

“Talvez esta seja a forma correta de deixar o povo decidir se está pronto para aceitar o que é necessário ou se eles preferem ter a outra coisa”, concluiu o ministro germânico.

O desafio foi lançado, falta agora saber se é ou não aceite. Até ao momento não há respostas diretas de Yanis Varoufakis. O ministro das Finanças grego apenas disse que espera que cada um faça o seu trabalho. “Espero que o Banco Central Europeu faça o seu trabalho, tal como nós fazemos o nosso. Todos têm de fazer os seus trabalhos na zona euro”, disse.

A hipótese de realizar um referendo já tinha sido levanta pelo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, no final do mês de abril.  

Diferenças entre o que se diz em Bruxelas e o que faz em Atenas
Não foi só Wolfgang Schäuble a pensar no cenário de um eventual referendo. Também o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, admite a possibilidade da Grécia avançar com uma votação popular. “Um referendo sobre a presença da Grécia no euro é possível, mas isso cabe ao Governo grego decidir”, disse.

Sobre a reunião, o presidente do Parlamento Europeu espera que desta vez os representantes de Atenas estejam mais bem preparados. “Tenho a expectativa de que agora apresentem um plano de reformas mais concreto. Queremos ajudar a Grécia, mas a Grécia tem de fazer a sua parte”, acrescentou ainda o alemão que preside ao Parlamento Europeu.

Do mesmo modo Peter Kazimir, ministro das Finanças da Eslováquia, admite que a Grécia tem um grande caminho a percorrer. “Continua a existir um grande fosso entre o que é discutido em Bruxelas e as ações em Atenas”, escreveu Kazimir na sua conta oficial do Twitter. 

“Isto não é nenhuma ciência. O dinheiro para a Grécia está disponível, eles só têm de fazer aquilo que foi acordado”, lê-se noutro tweet do responsável eslovaco das Finanças.

Da reunião desta segunda-feira não deverá sair nenhum acordo final, antevê o presidente  do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. "Não haverá acordo final esta segunda-feira, vamos ver os progressos que foram feitos", disse o também ministro holªandês das Finanças, citado pelo jornal grego "Kathimerini". 

Os credores europeus pretendem que Atenas implemente reformas rigorosas, mas o primeiro-ministro Alexis Tsipras tem-se recusado, até ao momento, a avançar com essas garantias.