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Pela primeira vez um negro lidera o partido dos brancos sul-africanos

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Pela primeira vez o "partido dos brancos" é chefiado por um negro

KIM LUDBROOK/EPA

Os críticos acusam de ser uma estratégia para conquistar votos ao Congresso Nacional Africano, que se mantém no poder desde o fim do apartheid.

Mmusi Maimane, negro de 34 anos e pastor evangélico em part-time, foi eleito este domingo como novo líder da Aliança Democrática, atualmente o maior partido da oposição na África do Sul. É um facto inédito numa força política composta sobretudo por brancos.

Lutar por uma sociedade mais justa e por igualdade de oportunidades para todos são as prioridades que Maimane anunciou perante os delegados do partido, num discurso de vitória que iniciou em xhosa, sua língua materna. O novo líder nasceu no Soweto, o enorme gueto situado nos subúrbios de Joanesburgo, onde Nelson Mandela também viveu durante os tempos da luta contra o Apartheid.

Em 2011 Maimane ganhara uma posição de destaque dentro do partido, ao tornar-se no seu porta-voz nacional. Passados dois anos passou a chefiar o Governo regional de Gauteng, a província mais rica do país. “Podemos ultrapassar as desigualdades raciais, mas isto pode apenas acontecer se todos os sul-africanos reconhecerem as injustiças do Apartheid e se todos reconhecermos que a desigualdade racial ainda se mantém”, afirmou.

O novo líder substitui Helen Zille, de 62 anos, que abandonou a liderança do partido após ter conquistado 22% dos votos, o seu melhor resultado de sempre, nas eleições nacionais do ano passado.

ANC domina há mais de 20 anos

Os críticos acusam a Aliança Democrática de ser um partido de brancos puros  cujos membros não estão verdadeiramente interessados em combater as desigualdades, nomeadamente através do apoio a uma lei que obrigue ao aumento do número de negros nos quadros das empresas e instituições – e dizem que a escolha de Maimane consiste numa estratégia para conquistar votos ao Congresso Nacional Africano, o partido de Mandela, que se mantém no poder desde o fim do Apartheid.

Passados mais de 20 anos, a maior parte da população negra sul-africana ainda vive na pobreza, numa altura em que o desemprego atinge uma em cada quatro pessoas no país. “Aceitamos o facto de a maioria dos negros sul-africanos estare em desvantagem devido ao nosso passado. (…) E temos que aceitar que os jovens também estão em desvantagem. Quero frisar que 66% deles constituem 35% da (totalidade) dos que estão desempregados. Temos de trabalhar com maior esforço para que um dia as oportunidades estejam abertas para os sul-africanos. O destino deve ser, decididamente, construir uma sociedade diversificada”, disse ainda Maimane, no seu discurso de vitória.