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Nigel Farage ressuscita ao terceiro dia

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Adeus e até já. Farage retirou hoje a renúncia apresentada na sexta-feira.

HANNAH MCKAY

Líder do partido eurocético britânico UKIP demitiu-se ao não ter sido eleito deputado na quinta-feira. Na altura, admitiu regressar em setembro. Afinal, foi esta segunda-feira.

Nigel Farage cumpriu a sua palavra na sexta-feira, um dia após as eleições britânicas: não tendo conseguido ser eleito deputado pelo círculo de South Thanet, anunciou que abandonava a liderança do UKIP, o eurocético Partido da Independência do Reino Unido, que defende a dissolução da União Europeia. Hoje, contudo, aceitou permanecer no cargo, a pedido dos militantes.

Já na sexta-feira o também eurodeputado Farage admitira um regresso.  “Pretendo folgar no verão, divertir-me, não fazer praticamente nada e, depois, haverá uma eleição para o novo líder do UKIP, em setembro, e em ponderarei no verão se hei de candidatar-me para regressar ao posto”, disse. Caía por terra a afirmação, feita pouco antes, de que  francamente, não seria credível continuar a liderar o partido sem um lugar [de deputado] em Westminster .

Hoje, o partido anunciou que o seu Comité Executivo Nacional rejeitara unanimemente a demissão de Farage, por considerar que os militantes desejam a sua permanência e que a campanha eleitoral foi  “um grande êxito”. O líder aceitou, pois, retirar a sua renúncia. O hashtag #FarageUnresigns (Farage desdemite-se) não tardou a inundar a rede social Twitter.

Prejudicados pelo sistema eleitoral

O comunicado do UKIP destaca os quatro milhões de votos obtidos nas eleições,  “apesar de ataques negativos incessantes e da impressionante reviravolta de última hora a favor dos conservadores, por medo do Partido Nacional Escocês”. O vencedor das legislativas foi o Partido Conservador, com maioria absoluta, o que leva David Cameron a iniciar um segundo mandato sem a necessidade de continuar coligado com os Liberais Democratas, que são, com o Partido Trabalhista, os grandes derrotados.

O UKIP é prejudicado pelo sistema eleitoral britânico, baseado em círculos uninominais a uma volta só, que favorece grandes partidos e forças políticas com forte concentração regional de votos. O partido de Farage só tem um deputado (Douglas Carswell, que trocou os conservadores pelos eurocéticos em 2014 e foi agora reeleito), apesar dos quatro milhões de sufrágios, por ter apoios bem espalhados por Inglaterra (ficou em segundo em dezenas de circunscrições). No extremo oposto, 1,45 milhões bastaram para os nacionalistas escoceses elegerem 56 parlamentares. Igualmente prejudicados são os verdes: 1,16 milhões de votos, 1 deputada.

Mantendo-se na chefia do partido, Farage irá, previsivelmente, liderar a campanha pela saída da UE no referendo que Cameron prometeu realizar até 2017. O certo é que a força desta formação sempre dependeu, largamente, do carisma do seu líder.