Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

De um lado reclama-se cedência, abertura, disponibilidade. Do outro pede-se o mesmo

  • 333

PATRICK PLEUL / Epa

Apesar de uma das partes afirmar que o clima das negociações entre a Grécia e os credores "está melhor", a verdade é que o entendimento permanece uma miragem. Esta segunda-feira é dia de todos se sentarem à mesa - novamente.

Esta segunda-feira, Yanis Varoufakis volta a sentar-se à mesa com os restantes ministros das Finanças da zona euro. A Grécia está na agenda da reunião do Eurogrupo em Bruxelas, mas apenas para que seja feito “um ponto de situação”. Apesar da falta de um acordo que desbloqueie os 7,2 mil milhões de euros de que os cofres gregos precisam, o governo de Alexis Tsipras tem mostrado otimismo quanto ao resultado da reunião. 

O primeiro-ministro grego disse este domingo que espera que do encontro do Eurogrupo resulte uma “declaração clara” que sublinhe os avanços conseguidos nas negociações com os credores. Uma declaração conjunta final teria o efeito de fazer os 19 ministros da moeda única falarem a uma só voz – dirigida aos mercados – que deixasse antever que gregos e credores estão mais perto de chegarem a um acordo. 

Os alertas de bancarrota voltaram a fazer-se ouvir, com o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, a dizer que "casos um pouco por todo o mundo têm mostrado que um país pode subitamente entrar em insolvência". Uma declaração conjunta dos ministros do euro poderia também dar um sinal ao Banco Central Europeu (BCE) para que facilite a situação de liquidez dos cofres gregos, continuando, por exemplo, a aumentar o teto da linha de emergência de liquidez (ELA) ou permitindo a subida do limite de emissão de dívida de curto prazo por parte do Tesouro helénico.  

No entanto, fonte europeia disse ao Expresso que não houve desenvolvimentos “a nível técnico” durante este fim de semana e que, apesar do melhor clima de negociação com as instituições da troika, o governo grego continua a não querer fazer cedências nas chamadas “linhas vermelhas”. 

O próprio coordenador grego das negociações com a Comissão Europeia, o BCE e o FMI, reconhece que Atenas e as instituições estão ainda “politicamente distantes” quando o assunto são os cortes nas pensões e nos salários e as questões laborais. Euclid Tsakalotos disse que estas são matérias que “ficarão em aberto até ao último minuto”. 

O governo grego continua a tentar chegar a um entendimento sem quebrar promessas eleitorais e sem recorrer a mais austeridade. No entanto, fontes europeias e diplomáticas adiantam que não é possível fechar um acordo sem tocar nos dossiês das pensões, das privatizações e da reforma do mercado laboral. 

"Após semanas de negociações muito duras, se o outro lado estiver disponível tornar-se-á evidente que o acordo está muito próximo", disse ainda Tsakalotos em declarações ao jornal grego “Avgi”. Mas do outro lado, o dos credores, não há para já qualquer vontade para fechar a última avaliação do resgate sem mexer nos temas sensíveis. 

Na reunião desta segunda-feira, os ministros do euro poderão, assim, voltar a dizer a Yanis Varoufakis que se o governo grego tem linhas vermelhas, os países credores também. O Eurogrupo deverá continuar a insistir em progressos concretos e “ao nível do conteúdo” nas negociações com as instituições. Sem a “luz verde” conjunta do BCE, do FMI e da Comissão, o Eurogrupo também não dará o seu aval político. 

Poderá ser também a ocasião para esclarecer se Varoufakis tem, de facto, um plano diferente do que está a ser negociado com a troika. Um plano que, segundo o “The Wall Street Journal”, foi apresentado pelo ministro grego aos homólogos das Finanças, nas viagens que fez, na semana passada, a Madrid, Roma e Paris.