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Soldados que estiveram na Ucrânia deixam Exército russo

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Rebeldes pró-russos na República Popular de Donetsk, na Ucrânia, a 9 de maio de 2015. Vários depoimentos mostram o apoio da Rússia aos separatistas no leste ucraniano

Alexander Ermochenko / EPA

Saíram, por vontade própria, do Exército russo. E alguns garantem que nem sequer eram voluntários no conflito na Ucrânia, como tem dito Vladimir Putin. São soldados russos, que estiveram no leste ucraniano, e contrariam algumas das alegações do Kremlin. 

Um soldado foi enviado para realizar exercícios militares no sul da Rússia, no ano passado, mas acabaria por ser enviado para a Ucrânia num comboio armado. "Depois de cruzarmos a fronteira, um tenente-coronel disse que poderíamos ser enviados para a prisão se não cumpríssemos ordens. Alguns soldados recusaram-se a ficar ali", disse o militar à agência Reuters, que preferiu que o nome não fosse divulgado e que serviu a divisão de Infantaria russa Kantemirovskaya.

Dois outros soldados recusaram-se a ficar nas divisões que serviam, recorda. "Foram levados para outro local. O tenente-coronel disse que foram abertos processos criminais contra eles", conta. Mas, quando lhes telefonou mais tarde, soube que estavam apenas em casa. "Saíram, apenas".  

A história deste soldado de Moscovo vem pôr em causa, publicamente, as declarações da Rússia, que garantiu repetidas vezes que a Rússia não está a enviar soldados para território ucraniano. Até este momento, era bastante difícil encontrar soldados russos que estivessem lutado no leste da Ucrânia e quisessem falar sobre este assunto, revela a Reuters. No entanto, várias organizações independentes que monitorizam o conflito no leste da Ucrânia já tinham dado conta do apoio da Rússia aos separatistas pró-russos, mostrando que o Kremlin tem prestado apoio a estes através do envio de equipamento militar, tropas e mantimentos para o leste do país. 

Também outros soldados deixaram o Exército por vontade própria, avança a agência noticiosa. Só nove deixaram a divisão de Infantaria de Kantemirovskaya em dezembro de 2014, mas alguns - apesar de confirmarem que deixaram o serviço - recusaram-se a falar sobre a situação na Ucrânia. No entanto, vários ativistas de direitos humanos garantiram que muitos soldados russos vivem com medo de ser pressionados a ir para a Ucrânia. 

Assim, esta é também uma história que questiona outro tipo de declarações da Rússia: a ideia de que os soldados russos estão a ir para o leste da Ucrânia voluntariamente. O militar de Moscovo nega que tenha feito isso. "Não, para quê? Aquela não é a nossa guerra. Se as nossas tropas lá estivessem oficialmente, a história seria diferente".