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"Terra, terra. Suba, suba." Como Lubitz treinou a descida para a morte

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SEBASTIEN NOGIER / EPA

Um relatório das autoridades francesas descreve detalhadamente o trágico percurso do A320 da Germanwings entre Barcelona e Dusseldorf. E conta como, no voo anterior, o copiloto treinou a descida fatal.

A Agência de Investigação e Análise Francesa (BEA) divulgou esta quarta-feira um relatório provisório onde são confirmadas as suspeitas iniciais de que o acidente aéreo da Germanwings, no dia 24 de março, foi deliberadamente provocado pelo copiloto de 27 anos, Andreas Lubitz. 

O documento de 30 páginas revela ainda o comportamento do copiloto no voo anterior entre Dusseldorf e Barcelona, utilizado pelo alemão para treinar as perigosas manobras de descida.

"Durante a fase de cruzeiro, o copiloto encontrava-se sozinho na cabine de comando. Depois, e de maneira intencionada, modificou as instruções do piloto automático para fazer descer a aeronave até que esta embatesse no terreno", lê-se no relatório da BEA, que descreve o treino e o acidente provocado por Lubitz.

O treino (Dusseldorf-Barcelona): 
Às 7h20m29s o comandante do avião saiu da cabine e alguns segundos depois a central de controlo solicitou a descida do avião para os 35 mil pés (10 mil metros), ordem executada no momento pelo copiloto. 

Contudo, 18 segundos depois, Lubitz alterou as configurações da descida para a altitude mínima de 100 pés (30 metros). Manteve este valor durante três segundos, alterando de seguida para os 49 mil pés (cerca de 15 mil metros) e reduzindo posteriormente para os 35 mil pés solicitados pelos controladores.

Durante os dois minutos seguintes, tempo que o comandante demorou a voltar para a cabine, Lubitz continuou a baixar e a aumentar as configurações de altitude. 

O acidente (Barcelona-Dusseldorf):
O comandante saiu da cabine do avião às 9h30m24s. Apenas 30 segundos depois, Andreas Lubitz aumentou a velocidade do avião para os 638 quilómetros por hora e repetiu o exercício que tinha feito no voo anterior: alterou a altitude do aparelho para o valor mínimo de 100 pés (30 metros). 

Minutos depois da saída do comandante da cabine, já soava o primeiro alarme: "Terrain, terrain. Pull up, pull up” (Terra, terra, suba, suba), aviso que ficou no ar até às 9h40m41s, o momento do embate do avião no solo.