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Internacional

Quatro condenados à morte por linchamento de mulher afegã

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Ao todo estão a ser julgadas 49 pessoas, acusadas de participarem diretamente ou testemunharem sem nada fazer o linchamento de Farkhunda

OMAR SOBHANI

Farkhunda, uma mulher de 27 anos, foi amarrada a um carro e arrastada no meio da multidão. Quatro homens espancaram-na até à morte, queimaram-na e deitaram o corpo ao rio Cabul. Esta quarta-feira foram condenados à morte. 

“Sua excelência está sentado na cadeira da justiça, a única coisa que quero é justiça.” Foram estas as palavras da mãe de Farkhunda, a afegã de 27 anos espancada até à morte há sete semanas, durante a leitura da sentença que, esta quarta-feira, condenou quatro homens à pena capital, num tribunal de Cabul.

“De acordo com a lei, serão enforcados até à morte. Esta não é uma decisão final do tribunal, ainda podem recorrer”, disse o juiz Safiullah Mojadidi, citado pelo jornal “The Washington Post”.

Quarenta e nove pessoas foram julgadas pela participação no linchamento de Farkhunda. Segundo o diário norte-americano, além dos quatro homens que foram sentenciados à morte, outros oito foram condenadas a 16 anos de prisão e 18 foram ilibados de todas as acusações.

Os restantes 19 arguidos são polícias e só deverão conhecer o veredito no próximo domingo. Os agentes da autoridade são acusados de assistirem ao crime sem nada fazerem para o impedir.

O crime que Farkhunda não cometeu

Foi a 19 de março, na capital afegã, que Farkhunda Malikzadah foi linchada por uma multidão. Relatos de testemunhas, citadas pela imprensa internacional, apontam para que tudo tenha começado com uma discussão entre o imã da mesquita e Farkhunda. A multidão acusou-a de queimar e desrespeitar o Alcorão, um crime punível pela lei islâmica. Mais tarde, ficou provado que Farkhunda não o cometeu.

Um grupo de pessoas, onde se incluem os 49 acusados, amarrou o corpo de Farkhunda a um carro, arrastou-o, queimou-o e depois lançou-o ao rio Cabul. Durante as duas horas em que a mulher foi espancada com pedras e paus, centenas de outras pessoas e alguns agentes da autoridade ficaram parados a observar.

Várias testemunhas filmaram e fotografaram o momento. Imagens foram publicadas na internet e partilhadas nas redes sociais. “The Washington Post” avança ainda que muitos espectadores confessaram-se orgulhosos, nas redes sociais, por terem participado na morte de Farkhunda.

O assassínio desta mulher chocou muitos afegãos e levou milhares de pessoas para as ruas, incluindo muitas mulheres, que se manifestaram em frente ao Supremo Tribunal do Afeganistão.