Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Soldados israelitas admitem atrocidades em Gaza

  • 333

Uma organização israelita publicou um documento onde acusa o exército de Israel de ter morto civis no decorrer da ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza no verão do ano passado

FOTO Mohammad Abed/Getty

Uma organização israelita publicou um documento onde acusa o exército de Israel de ter morto civis no decorrer da ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza no verão do ano passado.

Mais de 60 testemunhos de oficiais e soldados israelitas compilados pela organização Breaking the silence denunciam casos de mau comportamento, atrocidades e métodos adotados pelo exército israelita para proteger os seus soldados.

Yuli Novak, um dos responsáveis pela organização, afirma que o documento traça “um retrato preocupante de uma política de fogo indiscriminado que levou à morte de civis inocentes”, levantando dúvidas sobre a ética das forças de defesa israelitas.

Entre os testemunhos recolhidos está o de um soldado que relata a morte de duas mulheres abatidas por estarem muito perto da linha de fronteira. “Foram identificadas como terroristas. Apontaram-lhes as armas e dispararam contra elas”, afirma, sob anonimato. Uma inspeção realizada aos cadáveres confirmou que as mulheres não estavam armadas.

Matar em Gaza não era grave, porque a ordem era matar independentemente de tudo, referem testemunhos. Os soldados afirmam ter tido liberdade e autonomia para atirar contra qualquer pessoa no território palestiniano e para destruir casas ou infraestruturas civis.

O exército israelita já fez saber que pretende proceder a uma investigação sobre o assunto, e por esse mesmo motivo pediu que lhe fossem fornecidas todas as provas e/ou informações a respeito dos factos denunciados. Um pedido ao qual a Breaking the silence não respondeu, o que, de acordo com o exército israelita, levanta dúvidas sobre as verdadeiras intenções e propósitos da organização.

A publicação do documento vem na sequência das investigações que têm sido conduzidas pela ONU ao comportamento dos soldados durante a operação militar na Faixa de Gaza.

Entre julho e agosto do ano passado morreram mais de 2000 palestinianos, a maioria civis. Em Israel, 67 soldados e seis civis foram mortos. Israel acusou o grupo islamita Hamas de usar civis como escudos humanos.