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Neozelandeses desenham nova bandeira

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MARTY MELVILLE / AFP / Getty Images

Todos os cidadãos podem apresentar sugestões de novo design para a bandeira da Nova Zelândia. Apresentar a candidatura é muito fácil, basta fazer o upload na página oficial e depois é só esperar para saber se a proposta é uma das escolhidas para ir a referendo nacional.

A Nova Zelândia quer mudar de visual, uma bandeira nova para refrescar a imagem do país. O mais peculiar nem é a alteração da bandeira, mas sim o facto de qualquer neozelandês poder propor um novo design. Começa esta terça-feira, e estende-se até 16 de julho, o período para enviar as propostas.

Pode parecer um pouco aleatório, mas esta é apenas a primeira fase do processo. Após os vários designs enviados, o Painel de Consideração da Bandeira, composto por 12 pessoas das mais diversas áreas da sociedade (desporto, advocacia, investigação e finanças, por exemplo) escolhe quatro exemplares. Com essas quatro escolhas é realizado um primeiro referendo, entre 20 de novembro e 11 de dezembro, em que o eleitor tem de ordenar as opções da que mais gosta para a que menos gosta.

Num segundo referendo, a ter lugar entre 3 e 24 de março do próximo ano, os neozelandeses vão votar entre a bandeira vencedora no primeiro referendo e a atual bandeira. Isto significa, que o design com mais votos, no final do segundo referendo, será a nova insígnia oficial da Nova Zelândia.

A escolha é feita via postal, mas primeiro há que estar devidamente registado. Se por um lado a sugestão de design pode ser realizada por qualquer pessoa, por outro a votação só está aberta aos eleitores.

Para poder escolher a nova bandeira, o eleitor tem de ter mais de 18 anos, ser cidadão neozelandês ou um residente permanente ou, então, ter vivido no país por mais de um ano em algum momento da sua vida.

Simples, com contraste e pouca cor

Cada candidato pode dar asas à imaginação, mas o Governo da Nova Zelândia impõe algumas regras. A proposta deve ser simples e pensada para ser fluída e visível de ambos os lados. Deve ainda ser intemporal, evitando usar símbolos que possam ficar desatualizados. Tem de ter pouca cor, mas tem de existir contraste. Caso o desenho proponha imagens de animais, este tem de estar colocado de frente para o mastro da bandeira.

É preciso ainda ter em consideração que a bandeira será sempre retangular e não pode ter palavras, fotografias ou símbolos complexos.

Já por três vezes a bandeira oficial da Nova Zelândia foi mudada. A primeira vez em 1834, conhecida como a Bandeira das Tribos Unidas da Nova Zelândia. Em 1840, depois do Tratado de Waitangi, passou a utilizar-se a Bandeira da União. E em 1902, a atual bandeira foi adotada, embora desde a década de 60 que se fale em mudança. Ao longo dos anos, várias sugestões têm estado em cima da mesa, mas nunca existiu um debate público oficial.

Por lei, a bandeira só pode ser substituída com a aprovação da maioria do Parlamento, no entanto, por opção do Governo, devem ser os eleitores neozelandeses a escolher a sua imagem de marca.

Todo o processo deverá custar mais de 25 milhões de dólares (cerca de 22 milhões de euros). Em caso de ser decidido que há uma nova bandeira, esta vai estar presente em todos os edifícios do governamentais o e nas cerimónias oficiais. Mas os cidadãos, se assim quiserem, podem continuar a utilizar a antiga.

Pessoas sem jeito para o desenho também podem participar

Em parceria com o projeto para a nova bandeira, o governo neozelandês lança uma campanha para saber os que os cidadãos defendem. Através de um website criado para o efeito, qualquer pessoa pode escrever aquilo que apoia.

“Eu apoio a justiça e a igualdade”, “eu apoio a ciência e a razão”, “eu apoio a liberdade” e “eu quero uma república amiga do ambiente”, são algumas das mensagens deixadas no mural da página oficial da campanha.

O objetivo é envolver as pessoas e dizer quais são os valores e o que importa aos neozelandeses. As pessoas que partilharem as suas crenças na página podem incluir o seu nome no mastro da bandeira nacional. Ou seja, quanto mais pessoas contribuírem, mais nomes ficaram gravados. Até agora, já estão registados 767 nomes.

Esta ação terá lugar independentemente de a bandeira escolhida ser a nova ou a que já está em vigor.