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Estado Islâmico reclama autoria do ataque em Dallas

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Elementos da polícia de Phoenix cercam a residência de um dos suspeitos da autoria do ataque de domingo nem Atlanta

ROY DABNER/EPA

Num comunicado divulgado pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh), o grupo afirma que o ataque ao concurso de cartoons de Maomé foi levado a cabo por "dois soldados" do califado.  

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) declarou esta terça-feira estar por trás do ataque ao concurso de cartoons de Maomé que ocorreu no passado domingo. 

O comunicado diz que o atentado foi levado a cabo por "dois soldados do califado". "Dizemos à América que o que aí vem é ainda maior e mais amargo e que verão os soldados do Estado Islâmico fazer coisas terríveis", declararam os jiadistas, segundo revela a BBC.

A rádio Al-Bayan, pertencente ao grupo, disse ainda que a conferência de Dallas "usou representações negativas do profeta Maomé."

As possíveis ligações entre os responsáveis pelo ataque e o Daesh surgiram logo no próprio dia do ataque, através de uma conta de Twitter que escreveu acerca do ataque, dizendo que os dois jiadistas prestaram ba'yah, um juramento de lealdade, ao homem que chamara de "Líder dos fiéis", um termo utilizado muitas vezes pelos seguidores do Daesh para se referirem ao seu líder, Abu Bakr al-Baghadadi.

No entanto, tal não é suficiente para garantir que o grupo islâmico está por trás da organização do atentado em Dallas. Segundo o "New York Times", que falou com alguns dos responsáveis pela investigação, "não há até agora provas de que o ataque tenha sido ordenado ou planeado por um grupo terrorista estrangeiro".

Segundo o diário "The Guardian", outro membro ligado ao Daesh felicitou os atacantes nas redes sociais, mas o jornal alerta que esta não seria a primeira vez em que um grupo jiadista aproveita para reivindicar um ataque para os qual não contribuiu. No entanto, a confirmar-se esta ligação, este atentado seria o primeiro do Daesh em solo norte-americano.

Um dos suspeitos estaria sob vigilância
As autoridades norte-americanas suspeitam que por trás dos atentados estarão Elton Simpson e Nadir Soofi, os dois homens abatidos em Dallas no domingo. Um deles, Simpson, já estaria sob vigilância desde 2006, devido às suas ligações a um homem que o FBI acredita que estaria a tentar criar uma célula terrorista no Arizona. Os agentes terão mesmo tentado colocar Simpson numa "no-fly list", para o impedir de viajar para o estrangeiro, mas não conseguiram.

Apesar disso, Simpson foi condenado em 2011 por ter mentido às autoridades acerca do seu desejo de viajar para a Somália. Segundo documentos do tribunal consultados pelo sítio "Daily Beast", a juiza Maru Murguia condenou Simpson por ter prestado uma declaração falsa, mas declarou ser impossível confirmar que o norte-americano tencionava juntar-se à jihad na Somália, base do grupo radical Al-Shabaab.

Elton Simpson e Nadir Soofi seriam colegas de casa e frequentavam a mesma mesquita, em Phoenix. Segundo o presidente do Centro da Comunidade Islâmica local, Usama Shami, ouvido pelo "The New York Times", Simpson converteu-se ao Islão durante a adolescência e nunca defendeu mensagens radicais na mesquita, mas a sua atitude mudou desde que foi condenado: "Não havia indício de raiva ou radicalização, apenas a ausência de felicidade", declarou.

Também uma das advogadas que defendeu o jovem do Arizona disse à cadeia de televisão ABC não acreditar que Simpson pudesse ser responsável pelo atentado: "Ele cresceu como um rapaz perfeitamente normal", declarou Kristina Sitton, que disser ser insuspeita, visto não ser "um coração mole" e votar no partido Republicano. "Já vi muitos tipos maus e ele parecia mesmo normal.