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Ataque em Dallas. Um dos atiradores tinha antecedentes terroristas

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MIKE STONE

Chama-se Elton Simpson, é do Arizona. A polícia está a realizar buscas no apartamento do suspeito, em Phoenix. 

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A estação televisiva ABC já revelou a identidade de um dos dois atiradores de Dallas. Chama-se Elton Simpson, é do Arizona, e já tinha sido investigado por suspeitas de atos terroristas em solo americano.  A polícia está a realizar buscas no apartamento do homem, em Phoenix.

Elton Simpson e o seu companheiro, que ainda não foi identificado, pretendiam levar a cabo um atentado numa conferência realizada este domingo nos subúrbios Dallas, nos Estados Unidos, sobre as caricaturas de Maomé. Os dois homens armados abriram fogo sobre uma multidão que participava no evento intitulado, “Muhammad Art Exhibit and Cartoon Contest”. 
Em poucos minutos, a polícia abateu-os e o local, o Curtis Culwell Center, em Garland, foi de imediato evacuado. Um segurança, que estava desarmado, ficou ferido durante a troca de tiros, que ocorreu por volta das 19h locais (13h em Lisboa).

Douglas Athas, o mayor de Garland, descreveu o tiroteio: “Dois homens dentro de um carro tentaram guiar até ao parque de estacionamento. Saltaram do veículo com armas automáticas. Começaram a disparar contra um segurança desarmado, que foi ferido numa perna. O primeiro suspeito foi atingido imediatamente. O segundo foi também atingido e ficou ferido. Tentou tirar algo da sua mochila e como as autoridades não faziam ideia do que trazia lá dentro foi de novo alvejado, tendo morrido.” 

O carro dos suspeitos estava a ser inspecionado por suspeitas de conter uma bomba. As autoridades criaram um perímetro de segurança em redor do veículo, que terá sido alugado. 
A exposição sobre os cartoons de Maomé tinha sido organizada pela American Freedom Defense Initiative, que é considerado pelas autoridades norte-americanas como um grupo islamofóbico. 

O evento juntou mais de 350 cartoons com imagens de Maomé. O objetivo era o de fazer um concurso cujo vencedor receberia 10 mil dólares. 

Um dos oradores era o político holandês, Geert Wilders, um crítico feroz da presença da comunidade muçulmana na Europa. 

Na altura do tiroteio, estavam cerca de 200 pessoas no local, que foram de imediato evacuadas. Além do segurança ferido e dos dois atiradores abatidos não há registo de mais feridos. “A maioria dos participantes na exposição eram provenientes de fora do Estado”, confidenciaram as autoridades, que estavam preparadas para um atentado deste género. 
Segundo a CNN e a BBC, as medidas de segurança eram apertadas. O número de agentes era superior ao normal em conferências do género. E tinham sido contratados em elevado número de seguranças especificamente para este evento. 

Só era permitida a entrada de pessoas que tivessem adquirido bilhetes com antecedência. “Estávamos preparados para algo do género”, confidenciou o porta-voz da polícia.

O jornal inglês “The Guardian” revela que a tensão com a minoria muçulmana daquele Estado tem vindo a crescer desde o início do ano, depois de um imigrante iraquiano ter sido assassinado em Dallas, em março. A polícia suspeita de se ter tratado de um crime de ódio. Causou também polémica a morte de três estudantes muçulmanos no Norte da Carolina, poucos dias depois dos ataques terroristas em Paris. Alguns protestos no Texas contra a religião muçulmana têm contribuído para o avolumar deste mal-estar.