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Novo ataque com gás de cloro na Síria

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É o segundo ataque com armas químicas na cidade de Saraqeb em menos de uma semana.

Sultan Kitaz/Reuters

É o segundo ataque com armas químicas na cidade de Saraqeb em menos de uma semana. Estados Unidos, Reino Unido e França acusam Governo de Assad de usar gás de cloro contra civis. Rússia diz que não há provas.

Helena Bento

Jornalista

Ativistas alertaram, este domingo, para um novo ataque do Governo sírio com gás de cloro em Saraqeb, na província de Idlib, uma zona controlada por rebeldes. 

Num vídeo divulgado por um grupo ativista sírio, médicos e residentes encaminham um grupo de crianças para um hospital local, aparentemente com dificuldades em respirar.

É o segundo ataque na cidade em menos de uma semana. Um relatório divulgado esta quarta-feira, dia 29 de abril, dá conta de outro ataque também em Saraqeb com características semelhantes. E acontece um dia depois de ter sido garantido por um observatório internacional que os ataques com recurso a armas químicas, lançados alegadamente pelo Governo sírio, vão começar a ser investigados.

Ataques em Nareb e Saraqeb

Noutro vídeo, captado em Nareb, cidade localizada na província onde os combatentes apoiados pela Turquia, Qatar e Arábia Saudita continuam a ganhar terreno sobre as tropas leais ao Presidente Bashar al-Assad, um médico, aparentemente em estado grave, recebe oxigénio depois de ter ajudado a resgatar vítimas de outro ataque químico.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, citando fontes médicas no local, defende que pelo menos uma criança terá morrido durante a ofensiva, mas o caso ainda não foi investigado nem apurada a causa da morte.

Outro grupo ativista alertou também para um ataque do Governo sírio em Saraqeb. Forças leais ao Presidente Bashar al-Assad responsabilizam os rebeldes pelos ataques.

Os Estados Unidos, bem como o Reino Unido e a França, acusaram o Governo de Assad de usar gás de cloro contra civis, mas a Rússia defende que não há quaisquer evidências disso e que o Governo sírio não deve, portanto, ser responsabilizado.

Sarmin. Ataque com gás de cloro mata família síria

Em abril deste ano representantes do Conselho de Segurança da ONU reuniram-se para ouvir relatos de médicos sírios que confirmaram o uso de armas químicas nos ataques de março à cidade de Sarmin, também na província de Idlib, que causaram a morte de seis pessoas da mesma família: três crianças, os seus pais e avó.

À "Al Jazeera", Zaher Sahloul, presidente da Sociedade Médica sírio-americana, disse que a situação foi "muito traumática". "Médicos e enfermeiros estiveram a lutar para salvá-los. Todos apresentavam sintomas respiratórios - tosse, respiração ruidosa, e, em alguns casos, líquido nos pulmões", contou Zaher Sahloul.

Amnistia Internacional acusa Governo sírio de cometer crimes de guerra "impunemente"

A Amnistia Internacional disse que os alegados ataques com gás de cloro evidenciam novos crimes de guerra por parte do Governo sírio, e defendeu que a situação na Síria deve ser levada ao Tribunal Penal Internacional "com urgência".

"Estes ataques horrendos que resultaram na morte excruciante de civis, incluindo crianças, provam que as forças do Governo sírio estão a cometer crimes de guerra impunemente", disse Philip Luther, diretor do programa para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional.

O cloro foi pela primeira vez introduzido como arma química durante a Primeira Guerra Mundial e teve efeitos desastrosos, dada a escassez de máscaras de proteção. O seu uso foi proibido pela maior parte dos países em 1925, na sequência da assinatura do Protocolo de Genebra.