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Internacional

Escalada dos combates na Ucrânia ameaça cessar-fogo

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Um observador da OSCE fotografa um edifício que terá sido atingido por um bombardeamento, em Donetsk, na Ucrânia

Igor Tkachenko/EPA

Oito soldados ucranianos morreram na última semana em confrontos com as forças separatistas no leste da Ucrânia. 

Um soldado ucraniano e um civil morreram nas últimas 24 horas no leste da Ucrânia, agravando assim a tensão que tem vindo a aumentar na região desde o cessar-fogo assinado em fevereiro, em Minsk, capital da Bielorrússia.     

Na semana passada, outros sete soldados ucranianos perderam em vida, na sequência de confrontos com pró-separatistas russos. Outros 40 militares ficaram feridos.    

Um civil morreu junto a um checkpoint do exército ucraniano, este sábado, em Marinka, a seis quilómetros da cidade bastião dos separatistas, Donetsk, informou o chefe da polícia local, Vyacheslav Abroskin.    

Posições do exército ucraniano foram bombardeadas 16 vezes nas últimas 24 horas com armas de um calibre não inferior a 100 mm, adiantou o porta-voz do exército ucraniano, Andryi Lysenko. 

Um dos termos do acordo assinado em Minsk, em fevereiro, consistia na retirada deste tipo de armamento da frente de combate.

Bombardeamentos em Donetsk 

Pela primeira vesz em algumas semanas, existem relatos de bombardeamentos na cidade de Donetsk, essencialmente em bairros não muito distantes do aeroporto em ruínas.     

Seis rebeldes pró-russos terão ficado feridos nos bombardeamentos, segundo informações partilhadas num site dos separatistas na internet. O líder dos rebeldes, Denis Pushilin, fala em "provocações" do exército ucraniano.   

É ainda incerto se estas provocações serão suficientes para trazer de volta a guerra ao leste da Ucrânia, mas as frágeis tréguas acordadas entre a Ucrânia e os separatistas podem estar em causa.     

As violações ao cessar-fogo têm vindo a aumentar. Esta quarta-feira, o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmou durante uma reunião com as administrações municipais que as forças separatistas planeavam uma ofensiva na segunda metade do mês de maio. O Comandante Supremo Aliado da Europa na NATO, general Philip Breedlove, disse no dia seguinte que as forças separatistas têm estado a preparar-se "de forma consistente para uma possível ofensiva".

Improvável uma ofensiva em grande escala

Apesar de quer Kiev quer as repúblicas autoproclamadas da região (Donetsk e Lugansk) terem garantido que retiraram toda a artilharia pesada da frente de combate, os observadores da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) dizem ter detetado oito tanques, entre outro armamento pesado na zona, na passada quarta-feira.     

Konstantin Mashovets, responsável pelo grupo de analistas InforResist, com ligações aos militares ucranianos, disse ao "Guardian" que se esperam incidentes esporádicos ao longo deste mês, mas não se prevê uma ofensiva em ampla escala.    

"Podemos esperar uma escalada do conflito ao nível tático, a tomada de alguns pontos em certas áreas, uma aldeia aqui, um cruzamento acolá", movimentos aos quais as forças ucranianas poderão responder, acrescentou Mashovets.