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O sonho americano sou eu

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FOTO REUTERS

Garante que sabe o que diz. Vê em si próprio " qualidades únicas". Avista Estado a mais na economia. É opositor do casamento gay. Observa em Obama um líder fraco na política externa. Se fosse eleito Presidente dos Estados Unidos, o republicano Marco Rubio, que entrou na corrida, ficaria para a história como o primeiro hispânico a chegar à Casa Branca.

O sonho americano sou eu. É assim que gosta de se apresentar aos eleitores o republicano de 43 anos que esta segunda-feira entrou na corrida à Casa Branca. Marco Rubio, filho de migrantes cubanos chegados aos Estados Unidos em 1956, fracassou no futebol americano, ainda que tenha casado com uma cheerleader dos Miami Dolphins. Licenciou-se em Direito e trocou os estádios pelos hemiciclos: em pouco mais de dez anos, foi de Miami, sua cidade natal, a Washington - das ligas secundárias da política local à liga principal da política nacional.

Nascido em 1971, gosta de dizer que despertou para a res publica ainda em criança com Ronald Reagan (1981-1989). O ator que um dia chegou a Presidente é para Rubio modelo de profunda inspiração que não se cansa de citar. Mas há quem o compare a Obama, pela ascensão vertiginosa e jovialidade.

Marco Rubio chegou ao Capitólio em 2010 à boleia da vaga de fundo dos ultraconservadores do Tea Party. Como não poderia deixar de ser, é um acérrimo defensor da família tradicional - tem quatro filhas da sua mulher, Jeannette, de a quem gosta de se referir como antiga cheerleader - e um férreo opositor do casamento gay. Crítico implacável do peso excessivo do Estado na economia, arrasa a política exterior de Obama, que acusa de ter feito graves concessões a regimes como o Irão e Cuba.

E garante que sabe o que está a dizer. Membro do Comité de Relações Exteriores desde que chegou à capital norte-americana, o conhecimento acumulado no domínio da geopolítica mundial será um dos seus trunfos que poderá apresentar ao eleitorado. Em contrapartida, a retórica republicana anti-imigração dos últimos anos coloca em dúvida a sua capacidade para conquistar o voto hispânico.

Marco Rubio foi um dos autores da ambiciosa proposta de lei das migrações que chegou a ser aprovada no Senado em 2013, mas que acabou por ser chumbada pelos republicanos na câmara baixa. Os aplausos que então recebeu da comunidade hispânica contrastaram com as duras críticas dos sectores mais conservadores do seu partido. Desde que Obama avançou em novembro último para a regularização de milhões de indocumentados, o agora candidato endureceu o discurso nesta matéria, perdendo o apoio de diversas associações latinas.

Se conseguir cumprir o sonho de suceder a Barack Obama, ficará para a história como o primeiro presidente hispânico dos Estados Unidos e um dos mais jovens de sempre.