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Dez anos de acidentes aéreos

O avisão da companhia malaia Air Asia desapareceu na noite passada num voo entre a Indonésia e Singapura

Suhaimi Abdullah / Getty Images

2014 não foi um ano fácil para as companhias malaias. Só este ano, um avião da Malásia desapareceu do radar, a 8 de março, e outro foi abatido quando sobrevoava território ucraniano. Agora, um AirBus da AirAsia Indonésia, subsidiária da companhia malaia AirAsia, desapareceu. Mas 2014 não foi exceção no universo das companhias aéreas. Recordamos os principais acidentes de aviação dos últimos dez anos.

Maria João Bourbon, com Lusa

Foi mais um avião que desapareceu do mapa. Sem um único pedido de socorro, o AirBus da companhia low cost Air Asia Indonésia, do voo QZ8501 que levava 162 pessoas a bordo, desapareceu na última noite quando percorria a rota de Surabaia, na Indonésia, em direção a Singapura. Pouco antes de perder o contacto com a torre de controlo de Jacarta, capital da Indonésia, o piloto pedira para subir a altura do voo de 9.700 metros para 11.600 metros, uma vez que estava com dificuldades de visibilidade devido ao mau tempo. Às 7h24 de Singapura (0h24 em Lisboa) acabaria por perder o contacto com Jacarta, quando sobrevoava o mar de Java, uma hora antes do horário previsto de aterragem em Singapura.

Este não foi um ano fácil para as companhias malaias. Para além do AirBus da AirAsia Indonésia, subsidiária da AirAsia Malásia, só este ano ocorreram mais dois incidentes com aviões de companhias malaias. A 8 de março de este ano desapareceu o Boeing 777-200 da Malasya Airlines, que descolou de Kuala Lumpur, Malásia, com destino a Pequim, China. A bordo iam 239 pessoas.

Também a 17 de julho de 2014 morreram as 298 pessoas (283 passageiros e 15 tripulantes) a bordo do Boeing 777 da Malasya Airlines, abatido por um míssil quando sobrevoava a zona de conflito do leste ucraniano, onde as forças governamentais combatem os rebeldes pró-russos. O avião viajava de Amesterdão, na Holanda, em direcção a Kuala Lumpur, na Malásia.

Só em 2014 os acidentes aéreos mataram mais de 650 pessoas. Ainda este ano, morreram os 116 ocupantes do avião MD83 da companhia espanhola Swiftair, operado pela Air Algerie. Entre os tripulantes do avião que percorria a rota entre Uagadaru, capital do Burkina Faso, e Argel, capital da Argélia, estavam seis espanhóis.

Mas não foi apenas 2014 que ficou marcado por vários acidentes de aviação. Ao longo dos últimos dez anos, encontram-se anos mais pontuados por desaparecimentos ou avarias de aviões.

2012, Bhoja e Dana Airair

AAMIR QURESHI / AFP / Getty Images

A queda de um Boeing 737 da companhia aérea paquistanesa Bhoja, a 20 de abril desse ano, fez 138 mortos: a totalidade dos ocupantes do avião (127 pessoas) morreram, bem como 11 pessoas em terra. O avião, que fazia a rota Karachi - Islamabad, caiu numa zona residencial de Hussainabad, próxima de Islamabad, quando se aproximava do Aeroporto Internacional Benazir Bhutto para aterrar. Apesar do acidente, os funcionários do controle de tráfego aéreo não receberam nenhum pedido de socorro.

A 3 de junho morrem os 153 ocupantes de um avião das linhas aéreas Dana Airair que colidiu contra um edifício em Iju, em Lagos, na Nigéria. Para além dessas, morreram outras sete pessoas em terra.

2010, Índia e Paquistão

Solaris Images / Getty Images

Foi a 22 de maio de 2010 que caiu um Boeing-737 da Air India Express, procedente de Dubai, no aeroporto de Mangalore, na Índia. O resultado foram 158 mortos e 8 sobreviventes, sete dos quais feridos.

A 28 de julho desse ano, morrem os 153 ocupantes do Airbus A321 da companhia paquistanesa Air Blue, que se despenhou numas colinas perto de Islamabad, no Paquistão.

2009, quedas no Índico, Atlântico e Irão

PATRICK KOVARIK / AFP / GettyImages

A 1 de junho, um Airbus A-330 da Air France precipita-se nas águas do Atlântico, quando voava desde o Rio de Janeiro, no Brasil, para Paris. Iam 228 pessoas a bordo, a maioria brasileiros e franceses.

No mesmo mês, dia 30, um Airbus 310-300 da Air Yemenia cai no Oceano Índico com 153 pessoas a bordo (66 dos quais franceses), quando voava de Saná para as Ilhas Comoras.

E quinze dias depois, a 15 de julho, morrem os 168 ocupantes de um Tupolev da iraniana Caspian Airlines. Este despenhou-se no povoado de Jannatabad, na periferia da cidade de Qazvin, no norte do Irão, após descolar do aeroporto de Teerão rumo a Ereva, no Irão. O piloto havia informado da existência de um problema técnico.

2007 e 2008, Brasil e Espanha

Pedro Armestre / AFP / Getty Images

Um Airbus A320 das linhas aéreas brasileiras TAM sai da pista ao aterrar no aeroporto de Congonhas (São Paulo, Brasil) e choca contra um edifício. Aquela que é considerada a maior tragédia aérea do Brasil causou 199 mortos e um desaparecido (187 ocupantes do avião e 13 vitimas apanhadas em terra), a 17 de julho de 2007.

Mais tarde, a 20 de agosto de 2008 a queda de um avião MD-82 da companhia espanhola Spanair, que transportava 172 pessoas, no aeroporto de Barajas (Madrid), provocou 154 mortos e 18 feridos.

2006, um verão quente

Genia Savilov / AFP / Getty Images

A 9 de julho, um Airbus A-310 da companhia russa S7 Airlines, com 200 passageiros, embateu contra um edifício durante a aterragem no aeroporto de Irkutsk, na Sibéria, Rússia, provocando 150 mortos.

No mês seguinte, a 22 de agosto, seria o avião de passageiros russo Tupolev Tu-154, que transportava 169 pessoas, incluindo 45 crianças, que se despenharia na Ucrânia, quando tentava realizar uma aterragem de emergência.

Já a 30 de setembro morreram 154 pessoas num Boeing 737-800 companhia brasileira GOL, que se despenhou na selva amazónica, depois de chocar contra uma avioneta cujos ocupantes saíram ilesos.

2005, ano de quedas e colisões

Getty Images

O Boeing 737 da linha aérea cipriota Helios cai no nordeste de Atenas. Morreram os 121 ocupantes desse voo realizado a 16 de agosto.

No mês seguinte, o cenário repete-se, agora com um Boeing 737-200 da linha aérea low cost Mandala, da Indonésia, após a descolagem de Medan, na Sumatra. A queda, a 5 de setembro, provocou 150 mortes.

No final do ano, a 6 de dezembro, um avião Hércules AC-130, da Força Aérea do Irão, colidiu contra um prédio nos arredores de Teerão, no Irão, provocando 116 mortos, entre os quais vários jornalistas.

2004, acidente no Mar Vermelho

Patrick Baz / AFP / Getty Images

A 3 de janeiro, a queda de um Boeing 737, da companhia egípcia Air Flash no Mar Vermelho provocou a morte de 148 pessoas, entre eles 135 franceses. O avião tinha descolado de Sharm el Sheikh, no Egito.

Artigo publicado a 28 de dezembro de 2014