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Hollande diz que haverá consequências se francês for executado na Indonésia

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FOTo François Lenoir

"Se Serge Atlaoui for executado, haverá consequências da França e da Europa, porque não podemos aceitar este tipo de execuções", garantiu o Presidente francês.

O Presidente da França advertiu hoje que haverá consequências "diplomáticas" se o francês Serge Atlaoui, condenado à morte por tráfico de drogas, for executado na Indonésia.



O Governo indonésio anunciou, na quinta-feira, ter emitido a ordem para preparar as execuções de dez condenados à morte por tráfico de droga, incluindo o francês e o brasileiro Rodrigo Gularte.



"Se ele (Serge Atlaoui) for executado, haverá consequências da França e da Europa, porque não podemos aceitar este tipo de execuções", declarou à imprensa François Hollande, à margem de uma breve visita que fez a Baku, no Azerbaijão, referindo ainda que estas consequências serão essencialmente "diplomáticas".



"Pelo menos, nós faremos retornar à França o nosso embaixador em Jacarta", disse, evocando ainda a possibilidade de uma "suspensão das conversações" sobre cooperação previstas com o Presidente indonésio Joko Widodo durante a reunião do G20 em Brisbane (Austrália), em novembro.



François Hollande referiu que, ele mesmo, não está disposto a ir à Indonésia "durante algum tempo".



"Nós trabalhámos com os países envolvidos, a Austrália, o Brasil, para multiplicar os esforços e garantir que não haja execuções", disse, acrescentando que irá receber na segunda-feira o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott.



Hollande afirmou que receberá a esposa do francês condenado à morte, "se ela assim solicitar".



"Entendemos que a Indonésia quer lutar contra o tráfico de drogas, mas neste caso, Serge Atlaoui era um funcionário numa empresa e não imaginava que esta produzisse drogas, além disso, ele não tinha antecedentes criminais", acrescentou o chefe de Estado francês.



A legislação antidroga na Indonésia é considerada como uma das mais severas a nível mundial. Em 2014, o Presidente indonésio, Joko Widodo, que termina as funções em outubro, rejeitou todos os pedidos de clemência apresentados pelos condenados à pena capital por tráfico de droga.



Entre os condenados à morte está o brasileiro Rodrigo Gularte, que foi preso em 2004 com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surf, tendo sido condenado em 2005.



Em janeiro, a Indonésia executou seis traficantes de droga, incluindo o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, o que causou uma crise diplomática entre a Indonésia e o Brasil.



A Indonésia, que retomou as execuções em 2013 depois de cinco anos de moratória, tem 133 prisioneiros no corredor da morte, dos quais 57 condenados por tráfico de droga, dois por terrorismo e 74 por outros crimes.