O ministro da Defesa reagiu à carta aberta que lhe foi dirigida pela Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), classificando-a como "instrumentalização política" ao referir assuntos como o BPN e o 5 de outubro.
Na comemoração dos 50 anos do navio escola Sagres com a bandeira portuguesa, cerimónia onde participou esta manhã, José Pedro Aguiar-Branco defendeu que não se deve confundir os militares com as associações que os representam.
"A simples leitura dessa carta mostra que há quem queira instrumentalizar uma associação, digna de ser respeitada e que tem o seu papel nas reformas que são precisas fazer nas Forças Armadas, para fazer política", afirmou o ministro.
Para o governante, a carta mostra que há "vocação para política e não vocação para a dinâmica militar" e por isso recusa-se a dar "protagonismo a quem quer instrumentalizar cerca de 1.500 associados para fins de natureza política".
De acordo com a edição de hoje do Diário de Notícias, a AOFA escreveu uma carta aberta ao titular da pasta da Defesa considerando que "nada obriga" os oficiais das Forças Armadas a "serem submissos, acomodados (...) ignorantes e apolíticos".
Ministro não receia "revolta"
A bordo do navio escola, o ministro garantiu não ter "receio" de uma revolta e que "não há nenhuma polémica nas Forças Armadas". "Quem fala em nome das Forças Armadas são as chefias e estamos a trabalhar em conjunto para resolver" os seus problemas, disse Aguiar-Branco, "para as tornar mais fortes, prestigiadas e com mais capacidade operacional". "E isso está a ser feito de forma tranquila e consistente com as chefias", acrescentou o ministro.
Por seu turno, os oficiais das Forças Armadas afastaram hoje a possibilidade de pedir a demissão do ministro da Defesa, na sequência da carta aberta enviada ao governante.
Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), Manuel Cracel, sublinhou que "o que está em causa é o resultado das políticas e das posturas que têm vindo a ser sucessivamente assumidas pelo ministro da Defesa nacional".
"Evidentemente que o senhor ministro da Defesa encarar a realidade das Forças Armadas e dos militares que a integram de outra forma, isso é que é fundamental, não é propriamente a pessoa", sublinhou.
Na carta, a AOFA escreve: "Procuramos fazer parte do grupo daqueles para quem o silêncio, a passividade e o conformismo não são modos de estar na vida".
Manuel Cracel adiantou que a AOFA não pondera adotar outra ação de protesto, embora tenha afirmado que a associação adotará as atitudes que entender serem mais convenientes, "sempre no quadro daquilo que a lei permite".
O presidente da AOFA colocou de parte a possibilidade de uma ligação ao protesto da Associação Nacional de Sargentos, previsto para 16 de fevereiro, contra os cortes salariais e a eliminação do feriado de 5 de outubro. Lamentou ainda o facto de não conseguir uma audiência com o ministro da Defesa desde 10 de agosto de 2011.