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O conselheiro Watson é muito mais do que elementar e quer mudar os cuidados de saúde

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D.R.

Conheça a tecnologia cognitiva da IBM que está cada vez a ser mais utilizada em hospitais e promete ser um aliado valioso na luta contra muitas doenças. Acompanhe-nos no Expresso Diário durante o mês de maio.

Curiosidade: sabia que a expressão "Elementar, Meu Caro Watson" não é utilizada uma única vez nos livros de Sherlock Holmes? Existem muitas variações mas nenhuma é a frase que passou para a consciência popular. Uma pesquisa que ao Watson da IBM demoraria algumas fracções de segundo a fazer. É tecnologia cognitiva que quer mudar a forma como se trabalha na saúde. 

Apresentado em 2011 para concorrer ao concurso norte-americano Jeopardy, trata-se de um super computador capaz de processar linguagem natural, cruzando milhares de milhões de dados. Por outras palavras, podemos dizer que é capaz de 'raciocinar' para dar a resposta que lhe parece mais acertada. Após a apresentação ao mundo em que a tecnologia se sagrou vencedora perante dois concorrentes humanos, os responsáveis da viram no Watson capacidade para fazer a diferença no campo da medicina e ajudar os médicos nos seus diagnósticos.

Desde então que a máquina não tem parado de evoluir. É 24 vezes mais rápida, melhorou desempenho na ordem dos 2400% e não tem parado de amealhar automaticamente informação. Uma das vertentes em que o Watson mais se destaca é a análise e aprendizagem dinâmica, ou seja, consegue ultrapassar a limitação normal dos computadores de só fazerem aquilo para que foram programados. Por isso, é capaz de descobrir relações e estabelecer ligações entre informações que se encontram desestruturadas.

Da participação em concursos de cultura geral à aplicação nos cuidados de saúde foi um passo dado com confiança pela empresa norte-americana. "Com o Watson, o expoente máximo da computação cognitiva, estamos a marcar o início de uma nova era das tecnologias de informação", garante, ao Expresso Diário, António Raposo Lima, presidente da IBM Portugal. A empresa já criou mesmo uma nova unidade negócio, o Watson Health, que vai contar com cerca de 2 mil consultores, médicos e investigadores para desenvolver ainda mais as capacidades do sistema.

Watson na Cloud

Ao conseguir reunir, até ao mais ínfimo pormenor, toda a história clínica de um doente, o sistema dá uso às suas capacidades analíticas para pesquisar textos, materiais de referência, casos prioritários e todo o conhecimento mais recente publicado em jornais e literatura médico. Objetivo: propor o melhor diagnóstico e tratamento.

A radiologia é, por exemplo, um campo onde o Watson pode revelar grande utilidade pela criação de algoritmos que identifiquem anomalias mais pequenas nas ressonâncias agnéticas que sejam impossíveis ver numa primeira análise. Na cardiologia também poderá ajudar os cardiologistas a equilibrar a dosagem de medicamentos com cruzamento de dados que antes não era possível e aumentar a eficácia nos cuidados primários para, no futuro, contribuir para a redução de custos relacionados com uma doença crónica, entre outras vantagens.

Um dos centros de investigação onde o equipamento está a assumir maior preponderância é no MD Anderson Cancer Center, uma das principais instituições mundiais de luta contra o cancro, para onde foi criado o Oncology Expert Advisor. Trata-se de uma ferramenta que pretende definir tratamentos mais eficazes e seguros (numa fase inicial mais focada na leucemia). Com mais de 100 mil doentes por ano, o centro possui uma vasta quantidade de informação, de ensaios clínicos a sintomas, que pode fazer toda a diferença. Por isso, este 'conselheiro' está a ser disponibilizado, em meio digital, a outros centros e unidades de saúde.

Um objetivo que se enquadra no lançamento recente do Watson Health Cloud, uma plataforma onde a informação pode ser trabalhada de forma anónima num ambiente dinâmico, de modo a que os utilizadores possam ter uma visão mais completa dos diversos fatores que afetam a saúde das pessoas.  

Não há nada de elementar em encontrar uma solução mágica os cuidados de saúde, mas se perguntarem ao Watson, ele fará o melhor para dar a resposta mais adequada.

É a grande questão que dá o mote para o Saúde 2025, projeto que junta Expresso, IBM, José de Mello Saúde e Samsung e que propõe uma perspetiva diferente sobre o futuro da Saúde. Ao longo deste mês, vamos explicar até que ponto saberemos o nosso estado de saúde todos os dias, as mudanças na relação entre médicos e doentes, os hospitais do futuro e a evolução nos tratamentos, com contributos de especialistas. A acompanhar a partir de amanhã, na edição em papel, até 16 de Maio.

Conheça os grandes exemplos de inovação tecnológica na rubrica Estetoscópio todos os dias, no Expresso Diário e Online, até 22 de maio.