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projeto saude 2025

Um chip para transmitir arritmias

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PEQUENO: o dispositivo é implantado por via subcutânea e tem o tamanho de uma pen USB

D.R.

Microdispositivo implantado na Cliria, na zona de Aveiro, permite aos médicos acompanhar 24 horas por dia doentes que possam escapar a um rastreio cardiológico convencional. É o último caso do Estetoscópio no Saúde 2025, após quatro semanas a dar o conhecer casos de inovação tecnológica.

Na era tecnológica por excelência, em que todos os dispositivos e ferramentas estão ligados em rede, não causa estranheza que os órgãos vitais do corpo humano entrem nesta equação. Mas imaginar o coração como um aparelho que envia informação como qualquer outro, já significa avançar de nível. É o que se passa em Portugal, mais precisamente na Cliria, onde se implantam microdispositivos no corpo para monitorização cardíaca.

O avanço deu-se no centro de arritmologia de pacing da clínica, localizado na unidade de Oiã, na zona de Aveiro, como resultado do trabalho do médico cardiologista Miguel Ventura. Trata-se de “um dispositivo ideal para a deteção de arritmias/alterações elétricas que surjam com pouca frequência e que possam escapar a um rastreio cardiológico convencional e que podem ser potencialmente graves, tais como desmaios, palpitações ou dores torácicas, por exemplo.”

Com um tamanho que não ultrapassa o de uma pen USB, o aparelho é feito de titânio e implanta-se por via subcutânea com anestesia local, seguindo um procedimento cirúrgico que não ultrapassa os dez minutos. Após este processo, o microdispositivo faz o registo da atividade elétrica de forma contínua durante três anos e envia automaticamente a informação para os profissionais de saúde por wireless. O doente tem ainda hipótese de escolher alturas em que queira ter análise adicional.

Prevenir AVC

“É muito fácil de implantar e pode nem sequer ser implantado em bloco operatório. É quase impercetível, não interferindo com a vida quotidiana dos doentes e permite detetar fenómenos que passariam despercebidos por serem esporádicos mas potencialmente graves. No final é facilmente retirado”, garante o médico cardiologista.

Mais pequeno 80% que qualquer outro dispositivo semelhante, o aparelho já foi colocado em várias dezenas de doentes, o que faz de Miguel Ventura um dos cardiologistas que mais tem apostado neste tipo de implantes. O feedback tem sido positivo e o médico orgulha-se de ter sido possível diagnosticar, por exemplo, um maior risco de AVC de uma forma que antes não era possível.

O futuro passa agora por levar o pequeno dispositivo das arritmias a cada vez mais doentes para que um número cada vez maior tenha acesso ao que melhor se faz ao nível de tecnologia de saúde.