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Hotéis hospitalares para recuperar a saúde

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CAMAS: hotéis hospitalares podem libertar mais espaço nas unidades tradicionais para os doentes que precisam de cuidados intensivos

Theo Heimann

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido tem construído uma série de unidades residenciais para alojar até 30 mil doentes e melhorar os serviços hospitalares.

A sobrelotação de hospitais é um dos principais problemas dos serviços nacionais de saúde em todo o mundo. A incapacidade de alojar todos os utentes que procuram os cuidados de saúde tem colocado administradores à procura de soluções alternativas para ter mais camas disponíveis. Uma questão a que o Serviço Nacional de Saúde britânico tenta responder, entre outras soluções, com a construção de 'hóteis hospitalares'.

Tratam-se de estruturas concebidas para receber doentes, sobretudo seniores, que ainda não estão suficientemente bem para ir para casa mas que já não precisam dos cuidadados intensivos que um hospital oferece. A ideia, é que se insiram em complexos hospitalares, sob alçada do Serviço Nacional de Saúde, para continuarem sob observação e com constante acesso aos serviços médicos.

“É uma maneira óbvia de tratar doentes com a dignidade e o respeito que merecem, de uma forma que vai ao encontro do consumidor moderno. Sem esquecer que fica mais barato do que ter estes utentes num qualquer corredor de hospital”, afirmou Nick Seddon, da associação “Reform” ao “Daily Telegraph”.

30 mil pessoas

De facto, segundo os dados do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, o custo de um dia de internamento numa ala destas unidades é de 300 libras (€414) enquanto a estadia num destes hóteis fica por 120 libras (€166). Os familiares têm a possibilidade de ficar próximos do utente além de haver muito mais flexibilidade nos horários de visita.

O modelo é inspirado nos países escandinavos, onde este rede inserida nos complexos hospitalares é comum e tem tido influência na quantidade de camas necessárias, bem como na qualidade dos serviços prestados.

É o que já acontece no University College London Hospitals: têm um hotel de quatro estrelas dirigido, sobretudo, a doentes com cancro (mas aberto a todos os doentes) para que continuem os tratamentos na instituição. Todos os 35 quartos têm uma linha telefónica direta para o hospital. Uma equipa de ambulatório está disponível — e alerta —24 horas por dia para tratar de qualquer emergência. 

Os responsáveis britânicos esperam albergar até 30 mil pessoas nestes hóteis e estimam que a medida poupe dezenas de milhões de libras, além de deixar muito mais camas disponíveis para doentes necessitados de cuidados intensivos.