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"Já imaginaram um mundo sem cancro?"

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Fundação Champalimaud, em Lisboa, foi o palco da Conferência Saúde 2025 que juntou uma série de personalidades para discutirem o que podemos esperar dos cuidados de saúde nos próximos dez anos. Um debate onde o ministro da Saúde, Paulo Macedo, confirmou que o cancro vai ser doença de notificação obrigatória e Salvador de Mello revelou que, até final de 2016, a CUF vai estar ligada a 50 clínicas do país por telemedicina.

O último painel – Como serão as unidades de saúde em 2025 – contou com António Raposo de Lima, presidente da IBM Portugal, Jorge Soares, da Gulbenkian Inovar com Saúde, e Salvador de Mello, presidente da José de Mello Saúde
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O último painel – Como serão as unidades de saúde em 2025 – contou com António Raposo de Lima, presidente da IBM Portugal, Jorge Soares, da Gulbenkian Inovar com Saúde, e Salvador de Mello, presidente da José de Mello Saúde

Luis Barra

Pedro Norton, CEO da Impresa, e Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, dois anfitriões da conferência Saúde 2025
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Pedro Norton, CEO da Impresa, e Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, dois anfitriões da conferência Saúde 2025

Luis Barra

A sala esteve cheia: 400 participantes
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A sala esteve cheia: 400 participantes

Luis Barra

Paulo Macedo, ministro da Saúde, foi o primeiro orador da conferência
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Paulo Macedo, ministro da Saúde, foi o primeiro orador da conferência

Luis Barra

O principal convidado: Daniel Gomez, da MD Anderson, EUA, uma das maiores instituições mundiais de investigação e combate ao cancro
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O principal convidado: Daniel Gomez, da MD Anderson, EUA, uma das maiores instituições mundiais de investigação e combate ao cancro

Luis Barra

O coffebreak é sempre bom para descontrair, mas nem toda a gente abandonou a sala para relaxar
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O coffebreak é sempre bom para descontrair, mas nem toda a gente abandonou a sala para relaxar

Luis Barra

Ricardo Costa, diretor do Expresso, modera painel em que entra Luís Campos, um dos diretores do Hospital Francisco Xavier, Artur Trindade Mimoso, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, e Sérgio Ferreira, diretor de Negócio Empresarial da Samsung
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Ricardo Costa, diretor do Expresso, modera painel em que entra Luís Campos, um dos diretores do Hospital Francisco Xavier, Artur Trindade Mimoso, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, e Sérgio Ferreira, diretor de Negócio Empresarial da Samsung

Luis Barra

Nicolau Santos, Expresso, moderou o painel com Gustavo Barreto, diretor de Estratégia e Novos Negócios da Médis, Jorge Soares, do programa Gulbenkian Inovar com Saúde, e Laranja Pontes, presidente do IPO Porto
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Nicolau Santos, Expresso, moderou o painel com Gustavo Barreto, diretor de Estratégia e Novos Negócios da Médis, Jorge Soares, do programa Gulbenkian Inovar com Saúde, e Laranja Pontes, presidente do IPO Porto

Luis Barra

Já pensou como será tratar-se daqui a dez anos? Como vão ser as visitas às unidades de saúde, o que vai mudar nas relações com os médicos ou os tratamentos que vão estar disponíveis? Estas e outras grandes questões foram o prato forte da Conferência Saúde 2025 - organizada por Expresso, IBM, José de Mello Saúde, Médis e Samsung - que juntou várias figuras nacionais e internacionais na Fundação Champalimaud para traçar o retrato dos cuidados de saúde.

Conhecido como o Centro para o Desconhecido, o espaço à beira-Tejo foi um local propício para debater um tema que está a avançar a um ritmo tão elevado que levam as previsões para território que só agora começamos a desbravar.

Coube a Pedro Norton, CEO do Grupo Impresa, a tarefa de abrir oficialmente o tema. "Gostávamos que esta discussão não fosse feita só por especialistas. Julgo que todos temos a ganhar se este debate for aberto a todos os cidadãos, realçou." O papel que as tendências de futuro podem desempenhar foi destacado como um dos principais motivos que levaram "os organizadores a assumir e a lançar este desafio."

Um debate "virado para o futuro" ao qual o ministro da Saúde também não se furtou. Paulo Macedo garantiu que "faz todo o sentido pensarmos e planearmos como será a saúde daqui a dez anos." Uma das medidas que se insere neste objetivo é a comunicação obrigatória que todos os laboratórios vão ter de fazer à Direção-Geral da Saúde sobre os diagnósticos de cancro. Notícia que o ministro confirmou perante a plateia repleta.

"A tecnologia vai revolucionar a forma de estar em saúde. Em 2025 o acesso aos cuidados médicos estará à distância de um clique. Seremos milhões a utilizarmos as apps. É a democratização do acesso a tecnologias de informação." Paulo Macedo deixou um apelo à importância de "enquanto sociedade, termos um compromisso sobre o financiamento destas boas notícias."

Um dos destaques da conferência foi a a presença de Daniel Gomez, do MD Anderson Cancer Center, que falou sobre os avanços da instituição norte-americana que passam muito pelo Oncology Expert Advisor, um dispositivo com base no supercomputador Watson, da IBM, que "aprende com linguagem natural" e dá "recomendações aos médicos." O especialista acredita que “esta plataforma dá recursos para um passo inicial num tratamento mais abrangente para o cancro.

Aumentar o possível

A meta é disponibilizar estes dados ao maior número de instituições possíveis quando estamos prestes a “conseguir estudar o cancro de forma global, uma coisa inédita.”Algo que Daniel Gomez acredita poder acontecer num prazo de cinco a dez anos. “Já imaginaram um mundo sem cancro? Pode estar mais próximo do que pensam”, atirou. Ideia que Purificação Tavares, da CGC Genetics complementou com a certeza que “o futuro não é daqui a dez anos, mas sim agora.”

As poderosas capacidades que as novas tecnologias trazem foram um ponto em comum nas intervenções da maioria dos participantes. Salvador de Mello, da José de Mello Saúde, acredita que “a noção de hospital vai-se alterar por completo” e revelou mesmo que, até final de 2016, a CUF vai estar ligada a 50 clínicas do país por telemedicina para as “unidades de saúde poderem estar mais próximas das populações. Já Sérgio Ferreira, da Samsung Portugal, colocou “a privacidade no centro” de tudo o que se faz na empresa, no campo da saúde, e a aposta na criação de equipamentos móveis “que nos dá um conjunto de indicadores que mostram se estamos a ter hábitos correctos.”

Gustavo Barreto, da Médis, destacou o papel que os seguros privados podem desempenhar neste futuro, e garantiu “que o setor já fez bastante para permitir um maior acesso das pessoas a esta área” e que as mais-valias estão com tendência para aumentar. De acordo com António Raposo Lima, “a inovação permite-nos aumentar o âmbito do possível”. O presidente da IBM Portugal ressalvou que a tecnologia “tem que ser sempre enquadrada com o trabalho dos profissionais de saúde.”

Dez anos. Um horizonte até 2025, onde tudo pode mudar.