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A nova arma na luta contra Alzheimer: uma app

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DISTÂNCIA: a aplicação é acionada quando o utilizador se encontra a dez metros de alguém com Alzheimer

D.R.

A “Backup Memory” foi criada pela Samsung Tunisia para ajudar as pessoas com a doença degenerativa a guardarem memórias de quem mais gostam.

O nosso objetivo é tornar a vida dos doentes com Alzheimer mais fácil, bem como das pessoas que os ajudam.” Foi desta forma simples que Azer Jaafoura, Diretor de Marketing Mobile na Samsung Electronics Tunisia descreveu a “Backup Memory”. Uma app para dar melhores condições de vida.

Trata-se de uma aplicação que tem, como objetivo primordial, estimular constantemente a memória de pessoas que sofram da doença degenerativa e que foi criada em colaboração com a Associação Tunisina de Alzheimer e a 3SG BBDO. “Os estudos mais recentes mostram que os estímulos mentais podem potencialmente abrandar a progressão da doença. Vimos uma oportunidade.”

O funcionamento é simples. Basta descarregar a ferramenta na Google Play (loja de apps para sistemas operativos Android) e criar uma conta de utilizador.  A partir daí, pode fazer upload de fotos ou vídeos familiares que apelem a recordações sentimentais, ou ligar-se à pessoa que deseja através de Bluetooth. Tudo para que esta perceba quem se encontra à sua volta, identificando membros da família e amigos, ao mesmo tempo que relembra as suas relações.

Por isso, após instalar a aplicação no telemóvel do doente com Alzheimer, este recebe um aviso com imagens, além da relação (parentesco ou amizade, por exemplo) com determinada pessoa sempre que esta se encontrar a dez metros de distância.

Só o começo

“Com Alzheimer, o que se perde fica perdido para sempre. Através de estimulação cognitiva, os doentes podem manter as suas memórias durante mais tempo e, assim, atrasar o seu efeito devastador”, revela Dr. Meriam Labidi da Associação Tunisina de Alzheimer. “Experimentámos a Backup Memory em alguns dos nossos doentes com resultados muito positivos”, garantiu.

Por enquanto, a app só se encontra disponível em francês e inglês, mas a meta da equipa responsável é que, no futuro, possa chegar a cada vez mais pessoas. Para melhorar a experiência da ferramenta, os técnicos tunisinos estão a tentar incluir um sinal GPS para ter localização constante além de uma interface de utilizador mais abrangente. “Não visamos ser uma revolução tecnológica. Mas gosto de pensar que isto é só o começo”, atirou Azer Jaafoura.

Alzheimer no mundo em Portugal

Doença degenerativa sem cura conhecida, que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas, é a forma mais comum de demência em todo o mundo. De acordo com estatísticas da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer, representa 50% a 70% de todos os casos. No nosso país, estima-se que existam mais de 90 mil pessoas com a doença e quase 44 milhões espalhadas pelo mundo.