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Os órgãos 3D que podem mudar a medicina

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D.R.

Os avanços na impressão a três dimensões e nos materiais sintéticos estão a dar novo impulso à criação de órgãos artificiais.

Parece ficção científica, mas não é. Já é possível criar órgãos para o corpo humano a partir de impressoras 3D, com recurso a materiais sintéticos de elevada qualidade. É um dos próximos passos da biotecnologia e pode fazer a diferença nos transplantes.

Um dos casos mais avançados, segundo a "Nature" é o das Universidades de Princeton e Johns Hopkins, nos EUA, onde um conjunto de cientistas  ‘imprimiu’ uma orelha artificial com um gel especial para dar estrutura ao órgão, células para a cartilagem crescer naturalmente e nanopartículas de prata para criar uma antena de audição. Uma forma tecnologicamente avançada e esteticamente mais apelativa de resolver certos problemas de audição, por exemplo.

Já existem também estruturas feitas a partir de polímeros que permitem recriar uma anca, ossos dos dedos ou contribuir para reconstruções faciais muito complexas.Veja-se o caso do Montefiore Medical Center, em Nova Iorque, outro centro que se encontra na dianteira dos órgãos impressos em 3D. Uma aposta que encontra o seu início em Oren Tepper. De acordo com o "New Yorker", o cirugião foi confrontado com o caso de uma rapariga que tinha nascido com uma mandíbula muito deformada, o que a impedia de respirar normalmente. 

Vasos capilares

O próximo passo lógico era uma traqueotomia, um procedimento muito invasivo, ou uma reconstrução total de alto risco, com enxertos de pele e diversas cirurgias, que só podiam ser realizadas quando fosse mais velha. O médico queria um caminho alternativo, que surgiu quando começou a investigar as possibilidades de criar órgãos sintéticos. Fez por isso, uma radiografia completa da cabeça da menina, para conseguir fazer um modelo, a três dimensões, da mandíbula ideal para o caso. Ao invés de reconstruir diretamente, ia juntar o modelo à zona danificada para criar uma nova estrutura.

 O objeto foi implantado de forma a não prejudicar os nervos faciais e, durante muitas semanas, todos as dias a estrututra foi ajustada um mílimetro para dar espaço às celúlas de se desenvolveram naturalmente e 'assumirem' a nova componente. Após esse período, Oren Tepper podia contemplar uma nova mandíbula. Atualmente, faz dois ou três procedimentos semelhantes por ano.

O grande objetivo agora é conseguir criar tecidos vivos, isto é, que recriem o ambiente celular do corpo humano e permitam criar órgãos naturais mais complexos. Segundo o "The Guardian", cientistas de Harvard e da Universidade de Sidney, conseguirem criar vasos capilares, responsáveis por distribuir sangue pelas celúlas, que podem impedi-las de morrer nas estruturas artificiais e abrir o caminho para órgãos vitais com possibilidades de serem transplantados. E salvar vidas.