Siga-nos

Perfil

Expresso

projeto saude 2025

A nanotecnologia ‘ninja’ que combate bactérias resistentes

  • 333

D.R.

Equipa da IBM e do Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Singapura desenvolveu um hidrogel para lutar contra bactérias resistentes aos medicamentos.

Tudo começou com o estudo de chips informáticos. A análise de materiais tradicionalmente utilizados para tecnologias de semicondutores mostrou que, quando certos elementos estão juntos, produz-se uma carga eletroestática capaz de gerar alterações a uma escala pequeníssima. Uma conclusão que inspirou a equipa da IBM dedicada à nanomedicina a estudar o que podiam fazer com estas novas estruturas. Era o nascimento do hidrogel com base em “ninjas polímeros” (como são afetuosamente conhecidos).

Desenvolvido em conjunto com o Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Singapura, é composto por mais de 90% de água e consiste em nanoestruturas que se movimentam rapidamente dentro do corpo humano para identificar as células infetadas e destruir os danos provocados pelas bactérias sem danificar nada à volta. Depois, todos os componentes desaparecem através de biodegradação.

Ativado pela temperatura corporal, é um composto sintético que promete combater os biofilmes e erradicar por completo as bactérias transmitidas por contacto que já desenvolveram resistência a medicamentos, como, por exemplo, a bactéria Staphylococcus aureus, que muito motivou a equipa.

“Esta é uma abordagem fundamentalmente diferente para o combate aos biofilmes resistentes a medicamentos ", garante James Hedrick, investigador dos laboratórios da IBM.

Superbactérias

Ao contrário do que habitualmente acontece nos antibióticos, que apontam para o mecanismo interno das bactérias para tentar impedir a replicação, o hidrogel mata os agentes infecciosos por rutura da membrana, precavendo, à partida, o aparecimento de qualquer resistência. E de forma muito menos intrusiva que os tratamentos normais. 

“Centramo-nos nas superbactérias devido à ameaça letal de infeção por estes microrganismos de rápida mutação e à falta de novos medicamentos para os combater. Utilizando materiais poliméricos versáteis e de baixo custo desenvolvemos uma terapia mais eficaz”, acredita Yi-Yan Yang, líder no Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Singapura

Os responsáveis acreditam que o hidrogel possa ser utilizado em aplicações como cremes ou terapêuticas injetáveis para a cicatrização de feridas, implantes e revestimentos de cateteres ou infeções da pele. O objetivo é que seja algo acessível e eficaz para contribuir para a erradicação destas bactérias.

Conheça os grandes exemplos de inovação para os próximos 10 anos na rubrica Estetoscópio. Todos os dias, no Expresso Diário e online, até 22 de maio