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Prémio Produção Nacional 2015

Os nove e a uva Frutalmente sem grainha

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Em Castanheira do Ribatejo alguns produtores da Frutalmente pousaram para a foto

FOTO ALEXANDRE BORDALO

Mário Rodrigues é o mentor da organização que agrega nove produtores, com idades entre os 30 e os 70 anos. Diferentes visões e formações que se traduzem em resultados. Acompanhe nas próximas semanas as histórias de produtores e produtos inovadores que estão a surgir e a evolução dos distinguidos no Prémio Intermarché Produção Nacional 2014, que este ano volta a ser um projeto do Expresso e da SIC Notícias.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Sob o lema a união faz a força, nove produtores, dos 30 aos 70 anos, uns em nome individual, outros num coletivo, uniram-se numa organização para conseguirem robustez e melhores condições negociais no mercado. Em comum, a uva de mesa, tradicional no Oeste e Ribatejo. O mentor do projeto inovador organizacional na região é Mário Rodrigues, engenheiro agrário, 38 anos. Ele e o irmão já tinham uma empresa quando lançaram o desafio a dois primos para levarem adiante esta ideia. Todos com raízes no campo, filhos e netos de agricultores.

A proximidade familiar e geográfica com produtores mais pequenos com quem iam estabelecendo parcerias, facilitou o processo. A Frutalmente, em Castanheira do Ribatejo, na prática, já funciona desde 2012. “Confesso que tive algum receio. A nível de certificações somos muito exigentes e eu julguei que formatar alguém de idade que sempre fez as coisas da mesma forma, que foi sempre ele que escolheu os clientes, estabeleceu preços, fosse uma missão impossível. Fui surpreendida pela positiva”, diz Sandra Rodrigues, engenheira agrónoma, uma das primas e diretora.

É inegável a complementaridade de experiências. Diferentes gerações com diferentes aptidões até tem dado resultados. Nem sempre é fácil a mudança de mentalidade, divergência de opinião há sempre, mas têm tido lições e surpresas dos mais velhos, garante. Tudo passou pela ligação à uva de mesa e necessidade de serem mais fortes na cultura. Estavam sozinhos, a trabalhar ao lado uns dos outros mas com preços completamente distintos.



FOTO ALEXANDRE BORDALO

Uva entra em Angola e figo segue para a Dinamarca

“O Mário acabou por ser fundamental pelo espírito de liderança muito forte e motivação. É o que avança e acha que é sempre possível dar a volta”, destaca Sandra. Exploram 200 hectares de vinha e todos ficam a ganhar com uma produção anual que ronda as 3500 toneladas por ano. “A união resultou em instalações mais evoluídas, rentabilidade comercial e clientes mais satisfeitos”.

Ainda que a uva seja o denominador, aproveitaram as produções paralelas já existentes, como a de figos que ocupa uma área de 15 hectares (o equivalente a 75 toneladas anuais), damascos ao longo de 16 hectares (250 toneladas) e pêssegos em 6 hectares (75 toneladas). Comercializam com duas marcas – a Dona Uva (uva) e a Adoora (figos e frutos de caroço). Exportam uva para Angola e figo para a Dinamarca. 

Como o objetivo é rentabilizar estruturas pela diversidade, a uva sem grainha é um grande passo. Iniciaram a plantação em 2014, pelo que, só daqui a três ou quatro anos atingirá o mercado. Sandra Rodrigues frisa o potencial deste produto junto das crianças. Não tem dúvidas de que será a tendência de mercado em detrimento das variedades com grainha.

Os próximos projetos passam por consolidar a empresa, aumentar produções da uva de mesa, fazer reconversões de vinhas mais antigas para variedades com mais aptidão, e talvez abrir portas a novos produtores que encaixem nos calendários definidos pela estrutura.

Depois de dois anos agrícolas complicados e da restruturação de antigas vinhas, as previsões deste ano são animadoras. “As perspetivas de produção são boas tendo em conta aquilo que se vê no campo. Se o tempo ajudar até ao final da vindima, poderemos este ano só em uva de mesa perfazer as 3500 toneladas”.

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