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Prémio Produção Nacional 2015

Gestora muda de vida, instala-se no Alentejo e dedica-se aos figos da índia

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Os frutos podem até ser utilizados como corantes naturais. As palmas são comestíveis e das flores secas faz-se chá

Teresa Laranjeiro foi à procura de um sonho e descobriu uma cultura à primeira vista sem interesse e desconhecida - já se imaginou a pedir um gaspacho de figo da índia? - mas que acredita ter "potencial". O ano passado lançou o desafio para se associarem em cooperativa: 75 produtores disseram "sim".  Nas próximas semanas acompanhe, no site e no Expresso Diário, mais histórias dos produtores de quem se fala e os produtos mais inovadores que estão a surgir. Saiba também a evolução de alguns projetos distinguidos em 2014 no Prémio Intermarché Produção Nacional.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Quantos de nós já não desejou mudar radicalmente de vida? Teresa Laranjeiro, gestora de projetos informáticos, tinha esse desejo e concretizou-o. Vivia em Lisboa mas a relação com a terra estava-lhe no sangue - os pais tinham quintas - e foi alimentando o sonho. Imaginava: um dia terei, também, um pedaço de terra. Como os filhos já não dependiam dela, o regresso às origens foi falando cada vez mais alto. Até despedir-se da empresa onde estava. Trabalhou por conta própria enquanto procurava um terreno nos arredores da capital para poder estar perto da família. Mas nada encaixava no plano e viu-se forçada a alargar o horizonte. Adquiriu 14 hectares no Vimieiro, em Arraiolos. Já lá vão quinze anos.

Demorou dois anos a mudar-se em definitivo. Tentou várias produções, nenhuma com resultados satisfatórios. A primeira, a sementeira de trigo, então, foi um desastre. Determinada, em 2010, disse para si mesma: “É agora”. Não queria uma cultura tradicional. “Procurava um modo de produção biológico, inovador e sustentável, sem intervenções profundas no terreno”, explica a agricultora de 55 anos. 

Teresa esbarrou com um projeto de produção de figos da índia, ainda estava ligada à informática, e estranhou o interesse nisto. “Quem é que se põe a plantar catos e acha que isso pode render alguma coisa? Foi isto que pensei naquela altura”, conta. Só que aquilo não lhe saiu da cabeça. Quis saber mais, entusiasmou-se e, em 2012, acabaria por formalizar, em sociedade com a filha, três candidaturas ao PRODER:  Sobremesa da Vida (plantação de figueiras da índia), a Cactus Extractus (para transformação) e a Chá Bravo (cultivo de ervas aromáticas). Destinou seis hectares da quinta ao plantio de 6000 palmas.

Apostou na produção e transformação dos figos da índia e desde o final de 2013 voltou-se para a cosmética com a comercialização de um óleo facial – o Alchemy. Extraído das sementes, com uma técnica de pressão a frio, já é vendido em Estremoz, feiras sustentáveis e lojas de produtos naturais em Évora e Lisboa.

O óleo de figo da índia é hidratante e antioxidante

O óleo de figo da índia é hidratante e antioxidante

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“Rico em vitamina E, ácido oleico e antioxidantes, oferece uma grande capacidade hidratante e regeneradora da pele, que funciona bem para disfarçar rugas, manchas e recuperar de cicatrizes”, destaca Teresa Laranjeiro, que surpreende: “Tenho amigos que o estão a utilizar como after shave, por ser um óleo seco”.

A investigação aprofundada que Teresa fez sobre o produto antes de se lançar no negócio levou-a a delinear uma estratégia de reaproveitamento da fruta fresca que não estivesse em condições para comercializar. Este ano prevê a produção de apenas uma tonelada. "Ainda é pouco", diz, já que este é apenas o primeiro ano de produção, mas já sabe que uma parte vai entrar na unidade fabril para ser transformada em polpa, que depois é congelada para confeção de gelados, granizados, ou sobremesas. Uma parceria com a chef Mariana Cardoso levou-os à apresentação no Green Fest, no Estoril, em 2012, um projeto de pratos experimentais, entres eles gaspacho de figo da Índia e o cheesecake de queijo de cabra e figo da índia.

 Um Cheesecake invulgar

Um Cheesecake invulgar

Cheesecake de queijo de cabra e figo da índia

Ingredientes
(6 doses)

200ml de natas
200gr de mascarpone
100gr de açúcar
150gr de queijo de cabra
100gr de bolacha Maria
40gr de manteiga
Compota de figo da índia qb
Amêndoa laminada para decoração

Preparação
Bater as natas, adicionar o açúcar, o mascarpone e o queijo de cabra sem casca e desfeito com as mãos, bater até ficar homogéneo.
Triturar a bolacha e acrescentar a manteiga amolecida, misturar com as pontas dos dedos até formar uma massa esfarelada.
Montar em copos individuas, primeiro a massa da bolacha e depois o creme de queijo de cabra, por cima colocar doce de figo da índia e decorar com amêndoa laminada.


(Chef Mariana Cardoso - Receita cedida por Cactus Extractus)

O novo kiwi?
Vista como uma planta selvagem, que servia de sebes e alimento a porcos, a figueira da índia é muito consumida na América do Sul, sobretudo no México. Gosta de terrenos áridos, necessita de pouca água e dá frutos uma vez por ano, mas só ao final do terceiro ano de produção. A fruta é colhida em Agosto. Uma tarefa “crítica e complicada". Os frutos são apanhados um a um à mão. E é sempre cortado com parte da palma. “Se o arrancarmos da planta vem aberto o pé e aprodecem”, explica.

Sendo a produção ainda pouco expressiva, Teresa mobilizou-se e juntamente com outros produtores foi uma das organizadoras do primeiro encontro nacional do figo da índia em abril de 2014. O evento realizado em Évora superou as expetativas: a sala com capacidade para 350 pessoas esgotou. As manifestações de interesse surgiram e, em junho do ano passado, 75 produtores associaram-se à Exotic Fruits New Flavours. Para já, a meta passa por aumentar a capacidade produtiva e o escoamento da fruta fresca, que possa repercutir-se na descida do preço deste produto, que ronda os 10 euros por quilo.   

Teresa acredita que este poderá deixar de ser um fruto "especial" para se voltar para o consumo de massas, à semelhança do que aconteceu com o kiwi em Portugal. "Esta é uma cultura com grande potencial e acho que não estou a ser excessivamente otimista", remata.


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