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Pensar o País com Música de Fundo

1 ideia para compor o país: precisamos de “animar a malta”

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Tiago Miranda

António Chainho é a quinta de 30 personalidades da Gestão, da Política e da Música que o Expresso convidou para responderem à questão: Que ideia tem para compor o país? Conheça a reflexão do virtuoso da guitarra portuguesa, numa rubrica do projeto Pensar o País com Música de Fundo, do Expresso e do Deutsche Bank, que pode acompanhar no nosso site.

"Numa altura em que a realidade do país nos é apresentada todos os dias nos diversos noticiários da televisão portuguesa como depressiva, com a palavra de ordem “austeridade” bem espelhada na alma dos portugueses, é difícil não recordar as músicas do saudoso Zeca Afonso. Músicas editadas há 50 anos continuam a representar na perfeição a sociedade atual portuguesa. A cada nova notícia de corrupção e fraude surgem-me na mente as palavras “Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”. Palavras tão atuais no passado como agora, é quando me recordo delas que temo pelo país e pelos jovens que deviam ser o futuro do mesmo mas que abandonam a terra que os viu nascer com intenções de não mais voltarem. Olho para os números da taxa de desemprego e receio pelos meus netos, crianças pequenas que são a minha alegria. São eles que me fazem acreditar e levantar o ânimo. Dão-me esperança num futuro risonho.

Nas ruas ouve-se novamente o “Grândola, Vila Morena”. Cantado no parlamento, nas manifestações. O povo reage, faz-se ouvir. É necessário “acordar a malta”. Há uma tendência para as pessoas se acomodarem, mas estes cantares servem como um despertar para a realidade, chamam as pessoas a saírem do torpor em que se instalam, a reagir, a acreditar num futuro que serão eles a construir. A música serve de inspiração, ouçam-na, respirem-na. Quase todas as pessoas têm uma ou mais músicas da sua vida. A música já deu provas de ser uma força que pode fazer avançar um país, uma revolução, por isso poderá também fazer um país evoluir para melhor, como todos queremos.

Acredito que não podemos avançar sem apostarmos no desenvolvimento da cultura. Tive a sorte de na minha carreira viajar para diversos países e conhecer realidades muito diferentes das nossas. Nos anos 60 percebi que a mentalidade do povo português tinha um atraso de 50 anos relativamente à de outros povos com uma cultura muito superior à nossa. Não acredito que hoje essa diferença seja tanta, mas o nosso nível de cultura continua a ser inferior. Precisamos de apostar na divulgação da cultura, do que melhor se faz em Portugal, nomeadamente na música. Noutros países os artistas musicais conseguem viver da música. Cá, poucos o fazem, e menos ainda são aqueles que o fazem sem passar grandes dificuldades. Aprendam a tocar um instrumento, ouçam música portuguesa, encham as salas de espetáculos com atuações dos nossos artistas. O povo português é um grande povo, com capacidades inovadoras, com veia artística. Temos excelentes exemplos: o Fado é património imaterial da Humanidade. O canto alentejano também o é (para este meu grande orgulho de alentejano de gema). Precisamos de “animar a malta”, de fazer os jovens sentirem orgulho do país em que crescem para no futuro o tornarem ainda melhor. A educação em Portugal não deveria descurar a componente cultural. Apostem no ensino da música nas escolas. Os pais habituem-se a levar as suas crianças a visitar o património cultural: museus, exposições, palácios. Levem-nos desde pequenos a concertos.

Nos países ditos mais avançados que os nossos, sem problemas financeiros, as salas de espetáculos esgotam, as pessoas apostam na cultura. Acredito que se seguirmos esse rumo, também Portugal avançará."

  • 1 ideia para compor o país: Allegro e a Alegria de fazer avançar Portugal

    Mário Ferreira, CEO da Douro Azul, é o primeiro de trinta personalidades da Gestão, da Política e da Música que o Expresso convidou para responderem à questão: Que ideia tem para compor o país? Uma rubrica do projeto Pensar o País com Música de Fundo, do Expresso e do Deutsche Bank, que pode acompanhar no nosso site.

  • 1 ideia para compor o país: deixemo-nos embalar pela possibilidade de alternativas

    Gabriela Canavilhas é a terceira das 30 personalidades da Gestão, da Política e da Música que o Expresso convidou para responderem à questão: Que ideia tem para compor o país? Conheça a reflexão deputada e pianista, numa rubrica do projeto Pensar o País com Música de Fundo, do Expresso e do Deutsche Bank, que pode acompanhar no nosso site.

  • 1 ideia para compor o país: nem o silêncio se ouve

    Luís Represas é o quarto entre as 30 personalidades da Gestão, da Política e da Música que o Expresso convidou para responderem à questão: Que ideia tem para compor o país? Conheça a reflexão do músico, numa rubrica do projeto Pensar o País com Música de Fundo, do Expresso e do Deutsche Bank, que pode acompanhar no nosso site.