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Pensar o País com Música de Fundo

1 ideia para compor o país: Allegro e a Alegria de fazer avançar Portugal

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Rui Ribeiro

Mário Ferreira, CEO da Douro Azul, é o primeiro de trinta personalidades da Gestão, da Política e da Música que o Expresso convidou para responderem à questão: Que ideia tem para compor o país? Uma rubrica do projeto Pensar o País com Música de Fundo, do Expresso e do Deutsche Bank, que pode acompanhar no nosso site.

"Eu comporia o país com um Allegro. Allegro, como a própria palavra diz, Alegria. Portugal precisa de alegria para avançar, precisa de um compasso ritmado, precisa de energia em crescendo paulatino, mas sem descurar a força desse crescimento. Alegria, que deve ser a base para aumentar a confiança: confiança dos, e nos, mais jovens, nos audazes, nos mais tímidos que precisam de incentivo para tirar as suas ideias da gaveta. Confiança e alegria. Romper com a necessidade de viver eternamente do triste fado ao qual muitas vezes nos agarramos atrás da premissa de que somos os coitadinhos. Não somos. Pelo contrário somos fortes, somos Camões, somos “engenho e arte”.

A banda sonora para o país é “entoarmos algo mais agradável, e cheio de alegria”, como é o quarto andamento da 9.ª sinfonia de Beethoven, mais conhecido como o “Hino à Alegria”.

Na estreia da 9ª Sinfonia, Beethoven já estava surdo, mas nem por isso deixou de sentir com toda a intensidade esta obra que se tornou universal. E também nós somos assim universais, e devemos sentir internamente essa universalidade, mesmo que os outros estejam surdos. Devemos sentir, no nosso interior, um hino à alegria, mas português. Como esta obra que é universal, também é a nossa história, o nosso vinho, a nossa cultura, os nossos usos e costumes que atraem cada vez mais os olhares externos e nos tornam um dos melhores destinos do mundo. Escrito por Friedrich Schiller o poema do Hino à Alegria é um mote para o futuro:

“Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!” 

O Hino à Alegria é transversal a qualquer idade, classe, religião. Dos oito aos oitenta, quem nunca ouviu esta música? Quem não sorri quando ouve os primeiros acordes? Um enleado de emoções, força, esperança e alegria; uma evocação à fraternidade humana. É tudo isto que deverá compor o país. Todos unidos, todos a remar para o mesmo lado, tenho-o repetido várias vezes, pois só assim avançamos e ultrapassamos as nossas dificuldades.

O Turismo já o tem feito, e se pensarmos bem, tem uma alegria inata associada. Não é por acaso que é o sector que mais tem crescido nos últimos anos. Não é uma área estanque, parada. É dinâmica, jovem e a fervilhar de ideias por todos os lados.

Diz o poema de Schiller para “entoarmos algo mais agradável” e é isso mesmo; mudemos o tom, encaremos os desafios com alma de descobridores, como fizeram os nossos ancestrais. Arregaçar as mangas. Criar oportunidades, procurar novas formas de avançar.

Será assim um Allegro Portugal."

O que é Pensar o País com Música de Fundo?

É um projeto conjunto do Expresso e do Deutsche Bank que junta quartetos improváveis — um músico, um político, um empresário e um jornalista — para dois debates inéditos sobre o país. A ideia nuclear é que o quarteto improvável olhe para o país, discutindo a importância que as escolhas culturais podem ter no futuro das pessoas. Ao juntarmos influências e pensadores de vários quadrantes pretendemos igualmente que se reflita sobre uma nova agenda para o país, uma agenda que complemente os desafios económicos e políticos com a formação cultural. Nas próximas duas edições da Revista E, explicaremos como e quando é que a música portuguesa se cruza com a alemã. No dia 9 de junho realiza-se o segundo debate, em Lisboa.