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O Meu Futuro

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Público e privado, duas opiniões sobre skills

Miguel Santo Amaro, cofundador e COO da Uniplaces e Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, deixam a sua opinião sobre as soft skills em Portugal e como a sua distribuição afeta a economia

PAULO ALEXANDRINO

LUÍS ARAÚJO
Presidente do Turismo de Portugal, IP

A formação ministrada nas Escolas do Turismo de Portugal (TP) é um importante pilar da atuação do Instituto, através da qual o Estado está comprometido a contribuir para a sustentabilidade e a qualidade do serviço prestado pelas empresas e agentes do sector. Neste contexto, a qualificação dos recursos humanos torna-se essencial para a consolidação da competitividade do turismo, razão pela qual o TP tem estado a reformular a oferta formativa e a rever os currículos para integrar nos seus cursos as competências assinaladas pelo mercado — tendo em conta as novas exigências e tendências, nomeadamente soft skills e comunicação. Atualmente, nas 12 escolas, de norte a sul do país, a grande preocupação é aproximar as necessidades da procura com a oferta, conferindo uma nova abordagem à formação. As escolas do TP formam mais de três mil alunos por ano, preparando os jovens para o primeiro emprego e qualificando diversos profissionais do sector, com vista a uma melhoria da qualidade do serviço e um crescente prestígio das profissões turísticas. Por isso mesmo, a gestão das escolas tem vindo a ser reforçada e o seu papel consolidado como motor de dinamismo regional, através de uma nova estratégia de desenvolvimento, que incluirá a integração de novas soft skills nos currículos e a transformação de cada escola num espaço de estímulo ao empreendedorismo, em estreita articulação com a realidade local e os seus múltiplos agentes. Estamos apostados e confiantes na formação de bons profissionais, abertos à inovação, às transformações do negócio, versáteis, empreendedores e com capacidade para acompanhar as novas tendências. A formação que é ministrada nas escolas do TP está a par do melhor que se pratica a nível internacional, e os nossos alunos tornam-se profissionais reconhecidos e competitivos além-fronteiras. Este reinvestimento conjuga-se com a visão das escolas do TP como núcleos de cooperação, constituindo-se como fator de dinamização local, capaz de potenciar o relacionamento entre escola, alunos e agentes, estabelecendo entre si um real Local Business Support. Temos já firmadas parcerias com agentes privados, o meio académico (universidades e politécnicos), estando a ser iniciadas outras (no domínio das artes), que nos apoiarão no desenvolvimento de capacidades artísticas e comunicacionais. Num tecido empresarial resiliente, dinâmico e inovador, o turismo será cada vez mais um fiável gerador de emprego, introduzindo crescentes exigências na formação e qualificação do serviço turístico, conduzindo a um inevitável ajuste nos modelos de contratação com o subsequente aumento da procura de profissionalização. Esta é uma clara aposta na modernização e adaptação às necessidades atuais do mercado, formando profissionais com empregabilidade.

TIAGO MIRANDA

MIGUEL SANTO AMARO
Cofundador e COO da Uniplaces

Não raras são as vezes em que, em conversa com os nossos pais, sentimos que o país que contam nas suas histórias de juventude parece ser outro, de tão diferente e distante. Nesse Portugal passado, ter um curso superior constituía uma garantia de estabilidade e sucesso profissional. De facto, durante os últimos anos nasceu um novo Portugal. A democratização da educação e do acesso ao ensino superior diminuiu as desigualdades e tornou a entrada no mercado de trabalho mais competitiva. A internet foi responsável pela transformação do conjunto de competências mais apetecíveis num candidato a um emprego. As capacidades de memorização ou repetição mecânica de processos deram lugar à criatividade, à destreza tecnológica e à capacidade de trabalho em equipa. A era do empreendedorismo trouxe consigo um novo conceito de jovem de sucesso, sem fato nem gravata, que exige a extinção dos modelos hierárquicos tradicionais corporativos... Hoje, ser descontraído é sexy! As novas gerações, rebeldes e arrojadas já não se contentam com um trabalho estanque, sem liberdade para a inovação, e com pouca qualidade de vida. A volatilidade do atual mercado de trabalho, consequência da agilidade das pequenas e médias empresas, exige das novas gerações uma grande flexibilidade. O que é hoje certo, amanhã pode estar obsoleto e, qual teoria darwiniana, é a capacidade de adaptação constante que vai decidir o sucesso profissional de cada um. Esta instabilidade saudável exige dos jovens uma capacidade de planeamento a longo prazo. O sucesso está na capacidade de “gerir à vista” sem nunca perder o norte. Esta gestão contínua é a chave da diferenciação na produtividade e empenho dos novos profissionais. Na realidade das startups, a verdade é que tudo acontece à velocidade da luz. O crescimento, as contratações, os planos... tudo tem de ser feito e decidido a um ritmo completamente diferente do que seria comum. Os profissionais têm de ter uma elevada capacidade de automotivação e proatividade para “fazer acontecer”. Mas engana-se quem acha que fazer acontecer é simples. Se há 40 anos ter um curso superior era diferenciador, pois nem todos o tinham, hoje o fator de diferenciação continua a ser algo que nem todos têm e que não se ensina nos livros. O mundo precisa cada vez mais de jovens com percursos diferentes e capacidade de integração de conhecimentos diferentes. A economia e as suas empresas dependem cada vez mais do talento dos seus profissionais. Um talento que é cada vez menos técnico (pois esse será progressivamente automatizável) e cada vez mais baseado em soft skills. O mundo hoje procura jovens que pensem “fora da caixa”. Procura antes aqueles que se reinventam de forma a impulsionar o constante alargamento dos seus horizontes.