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Liderança e trabalho 
de equipa, dizem

As opiniões de Sofia Tenreiro e Jorge Ferraz levantam o véu sobre algumas competências que moldam as soft skills

Sofia Tenreiro e Jorge Ferraz

MARIO JOAO

Sofia Tenreiro
Diretora-executiva 
da Cisco Portugal

"A liderança, hoje, enfrenta inúmeros desafios. Os melhores líderes são aqueles que não apenas se focam em atingir a excelência das suas hard skills, mas que apostam em desenvolver as suas soft skills. Para terem sucesso, têm de estar preparados para se adaptarem a um mundo em constante transformação, a concorrentes improváveis (e, muitas vezes, difíceis de antecipar), a enormes pressões de rentabilidade e sustentabilidade, a uma força de trabalho multigeracional e diversa, e a terem de satisfazer clientes cada vez mais informados e exigentes, com necessidades que se alteram diariamente. Toda esta instabilidade exige uma reinvenção contínua por parte dos líderes enquanto se focam em atrair, reter e motivar talento capaz de lidar com a ambiguidade, com o crescente ritmo de mudança de tudo o que nos rodeia, bem como de viver permanentemente fora da zona de conforto. Esta incerteza e transformação obrigam a que as nossas hard skills se tenham de adaptar exigindo uma atualização frequente. O que aprendemos em jovens torna-se rapidamente obsoleto. Por isso, o sucesso depende, cada vez mais, das soft skills que nos permitirão não apenas sobreviver a este mundo que nos questiona a qualquer momento, mas que serão a base que garantirá a renovação das hard skills. Há inúmeras soft skills consideradas críticas para se ter sucesso, como líder, nos dias de hoje. Inteligência emocional, que permite identificar e gerir as suas próprias emoções e a dos outros; energia positiva e paixão, que contagiam as equipas e as impelem a superar-se, ajudando-as a focarem-se nos objetivos e não nas adversidades; capacidade de adaptação, imprescindível num mundo que se transforma cada vez mais rapidamente e onde todos os dias surpreende com novas realidades desconhecidas. Curiosidade e gosto pela aprendizagem contínua, porque a presença da tecnologia em todos os aspetos da vida e das empresas, por exemplo, obriga a um domínio de novas ferramentas e instrumentos que surgem diariamente. Colaboração para entender que sozinho se vai mais depressa, mas apenas colaborando com os outros se chega muito mais longe. Comunicação para cativar os outros e convencê-los das suas ideias que, se não forem bem comunicadas, perdem todo o valor. Coragem para decidir mesmo quando não se tem certezas e para perceber que não tomar uma decisão é a pior das decisões. Integridade e ética porque se destrói, em segundos, a confiança que demorou uma vida a construir. Para serem bem-sucedidos, além de hard skills fortes, os líderes precisam de desenvolver soft skills cada vez mais robustas e adaptáveis a esta contínua mutação enquanto inspiram as equipas."

Jorge Ferraz
Diretor-geral 
da McDonald’s Portugal

"Houve um tempo em que o mundo laboral valorizava quase única e exclusivamente as competências técnicas dos profissionais (hard skills). Hoje, o paradigma mudou e já não chega ser só bom tecnicamente. Atualmente, o mercado de trabalho procura também profissionais dotados de competências sociais e comportamentais — as chamadas soft skills — que devemos olhar como fator complementar e diferenciador. Se há algo que o estudo que desenvolvemos em parceria com o Expresso e a Augusto Mateus & Associados corrobora é que, para o nosso sucesso, são determinantes diferentes dimensões, que vão desde as habilitações, ao sector ou percurso profissional e as nossas competências adquiridas são produto de todas estas. As soft skills são esse conjunto de atitudes e comportamentos que facilitam a relação que temos com os outros — seja no nosso local de trabalho ou em outras situações pessoais do nosso quotidiano. É certo que as soft skills melhoram, além do nosso desempenho pessoal, o nosso desempenho profissional, como confirmámos no referido estudo. Diferenciam-nos como profissionais e pessoas. Na McDonald’s, acreditamos que são fulcrais para assegurar que temos as melhores pessoas e proporcionamos a melhor experiência a quem nos visita. É por isso que acredito que devem ser valorizadas e reconhecidas como um todo, com o objetivo de melhorar a performance e potenciar o desempenho dos nossos colaboradores, bem como para responder às necessidades dos consumidores, influenciando os níveis de produtividade da economia portuguesa e da respetiva capacidade de criação de valor acrescentado. Para a McDonald’s, é tão importante apostar em bons ingredientes, na qualidade dos nossos produtos, na eficiência do serviço como em equipas que sabem comunicar com os diferentes perfis de pessoas que visitam diariamente os nossos restaurantes — é isso que significa quando afirmamos que somos “uma empresa de pessoas para pessoas”. É essencial que as nossas pessoas estejam o mais bem preparadas possível para receber e interagir com quem nos visita diariamente. Embora todas as soft skills se revistam de importância para a McDonald’s, pela natureza da nossa área de negócio existem algumas com maior relevância, das quais destacaria o trabalho em equipa, nas suas duas vertentes: operacional e criativa, esta no sentido de promoção da interação. Isto porque, de um modo geral no sector da restauração, o saber trabalhar em equipa é fundamental para o resultado final e sucesso do negócio, pelo que promovemos este espírito de coesão e o “sentimento de nós” como forma de estar. Estou certo da utilidade deste estudo não só para aqueles que pretendem identificar e melhorar as suas soft skills mas, também, para os empregadores dos vários sectores de atividade no nosso país."