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O Meu Futuro

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“Ninguém pergunta a opinião ao doente?”

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A contratualização, foi o foco do plenário de encerramento, moderado pelo diretor do Expresso, Pedro Santos Guerreiro (ao centro) e que contou com a presença de Dennis Helling, Miguel Gouveia, Rajesh Patel e George Tambassis

Alberto Frias

É preciso criar uma “metodologia mais compreensiva” para melhorar eficácia no tratamento, diz especialista

Novos serviços, desafios mais complexos e uma palavra que ganha renovada importância: humanização. Estas são as principais conclusões do segundo dia do 12º Congresso Nacional das Farmácias, que arrancou com uma discussão centrada na inovação das tecnologias de saúde.

“A indústria não está a gerar lucro suficiente para acompanhar os custos crescentes.” Este diagnóstico simples e direto é da autoria de Kenneth Kaitin, do Tufts Center for the Study of Drug Development. Os medicamentos do futuro serão “mais personalizados, especializados e sofisticados”, o que envolve “grandes riscos”, em função do seu preço. É aqui que entram as “associações e parcerias de inovação” como forma mais eficaz de “distribuir risco.”

Hélder Mota Filipe, membro do Conselho Diretivo do Infarmed, não tem dúvidas em afirmar que o “grande desafio é a inovação” em três vertentes: “Investigação clínica, introdução no mercado e financiamento.” Resta desenvolver uma “análise sistemática do financiamento em função da sustentabilidade do sistema.” Já António Vaz Carneiro, diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, acredita que os “cuidados de saúde estão a sair do volume” e que é “possível trabalhar para criar uma metodologia mais compreensiva.” Porque é estranho que “ninguém pergunte ao doente como ele está.”

Mais interação
A contratualização, foi o foco do plenário de encerramento, moderado pelo diretor do Expresso, Pedro Santos Guerreiro. O primeiro exemplo coube ao presidente do Pharmacy Guild of Australia, George Tambassis, que deu a conhecer o Community Pharmacy Agreement. Renovado de cinco em cinco anos, trata-se de um acordo “único no mundo” que estabelece com o governo os objetivos a cumprir e o financiamento para a expansão de serviços. Uma das inovações mais recentes é a parceria com uma empresa de telemedicina que providencia um médico à distância nas farmácias.

Outro caso internacional foi apresentado por Rajesh Patel, da direção da National Pharmacy Association britânica, que revelou o impacto dos cortes no serviço nacional de saúde: “Retiraram-nos £170 milhões. Foi uma imposição.” A necessidade obriga a “pensar fora da caixa” para assumir “funções dos serviços secundários.”

As experiências de outros países são essenciais, no entender de Miguel Gouveia, para ajudar a definir o que pode ser o futuro. Segundo o especialista em economia da Universidade Católica, “somos um dos países com maior quota de medicamentos nos hospitais” dentro da OCDE. Programas como a troca de seringas são um “exemplo de sucesso” e ajudam a perceber como as farmácias podem assumir um novo papel e “manter pessoas fora do hospital.”

Artigo originalmente publicado no Expresso de 23 de abril

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