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O Meu Futuro

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"O maior desafio é, na verdade, definir a noção de valor"

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O Diretor do Tufts Center for the Study of Drug Development, nos EUA, Kenneth Kaitin, revela-nos o que esperar dos medicamentos da próxima geração

Que desafios o crescimento da indústria dos genéricos tem colocado ao avanço da investigação farmacológica?
Nos Estados Unidos, mais de 85% das prescrições são preenchidas com medicamentos genéricos, desempenhando um papel fundamental no sistema de saúde e na sua despesa global. Ao mesmo tempo, a perda de proteção das patentes dos medicamentos de marca tem sido um incentivo adicional para que empresas de investigação se concentrem no desenvolvimento de fármacos novos e, esperamos, inovadores.

Se inovar implica custos elevados e, por isso, produtos dispendiosos, como melhoramos o acesso aos medicamentos?
O desenvolvimento de medicamentos é um processo longo, arriscado e caro. Em média, um medicamento leva 15 anos e 2,6 mil milhões de dólares a desenvolver; e apenas 12% dos fármacos que entram em ensaios clínicos serão bem-sucedidos em humanos e alcançarão, eventualmente, o mercado. Os medicamentos caros da atualidade traduzem, em parte, o custo significativo e o extraordinário risco do desenvolvimento de novas terapêuticas. E o preço também reflete o valor do medicamento para o doente, bem como a atmosfera competitiva em que se insere. Contudo, os custos elevados de muitos dos tratamentos inovadores atuais têm um efeito cumulativo nos orçamentos da Saúde e são uma sobrecarga considerável para os compradores. Acredito que um dos grandes desafios da década na área da saúde é alcançar o equilíbrio entre a necessidade de incentivar a indústria da investigação a empenhar-se na bioinovação e a necessidade de garantir que os medicamentos de amanhã sejam acessíveis a quem precisa deles. A solução assenta no trabalho conjunto de criadores, pagadores e prescritores para que desenvolvam melhores modelos de valor e preços justos.

Que modelos são esses?
É uma pergunta difícil. Nos Estados Unidos, assiste-se a uma viragem para [a política de] preços com base no valor [conhecida como “preço compreensivo” e adotada em Portugal para alguns medicamentos], em que o reembolso está relacionado com os resultados clínicos. Assim, se o medicamento não funcionar, não será pago. Se funcionar a 100%, como esperado, o consumidor deverá pagar o preço total. São acordos tipicamente realizados entre companhias farmacêuticas e compradores, mas raramente (e infelizmente) os seus termos são tornados públicos. Na Europa, onde o comprador é muitas vezes o Estado, modelos semelhantes têm sido discutidos e, em alguns casos, implementados. Eu suspeito que esta será a direção tomada nos Estados Unidos, na Europa e noutras regiões industrializadas. O maior desafio é, na verdade, definir a noção de valor.

Entrevista publicada originalmente no Expresso de 9 de abril de 2016

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