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O Meu Futuro

O Meu Futuro

Velhos, mas saudáveis

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A opinião de Ana Paula Martins, professora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa

"O futuro do sistema de Saúde em Portugal poderia ser o argumento de um filme épico. O envelhecimento da população ameaça os orçamentos públicos e das famílias como um vilão nunca antes visto. Falta-nos encontrar o argumento necessário ao triunfo de nós todos como heróis. Se vamos ser mais velhos, também queremos ser mais saudáveis e felizes. 


A trama deste filme é, evidentemente, política. No sentido mais abrangente do termo, mas também institucional. A população terá de adotar, com responsabilidade sempre crescente, estilos de vida mais saudáveis e atitudes preventivas. Mas as instituições políticas terão também de fazer a sua parte, com proporcional coragem. Sem reformas de fundo, tranquilas mas firmes, equilibradas mas nunca adiadas, o filme vai acabar mal.


O peso da doença tem de deixar de subir em espiral como tem acontecido. Não podemos aceitar, de braços cruzados, que as doenças crónicas aumentem proporcionalmente à esperança média de vida — e até a ultrapassem. Se isso acontecer, os princípios da universalidade e equidade do sistema de saúde deixarão de ser uma realidade. Restar-nos-á fazer o luto da maior conquista da democracia: um SNS universal e inclusivo.


A aposta na prevenção tem de deixar de ser uma palavra oca, usada em vão nos discursos, relatórios e programas eleitorais. Temos, mesmo, de evitar as pandemias de diabetes, de algumas formas de cancro e de doenças cardiovasculares.


Isso exige a alteração de estilos de vida por parte da população, mas também as correspondentes reformas organizacionais. Toda a evidência científica internacional reclama o reforço dos cuidados primários. Entre nós, apesar das boas intenções, o SNS ainda é demasiado centrado nos hospitais. Continuamos a entregar aos hospitais e às tecnologias mais caras a solução — muitas vezes frustrada, mas sempre mais dispendiosa — de doenças que poderiam ter sido evitadas.


Precisamos de um sistema de saúde inteligente. Devemos valorizar os recursos humanos de excelência saídos das nossas universidades, que despertam a cobiça de prestadores públicos e privados de países desenvolvidos. Os médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais devem ser encarados como um exército capaz de gerar grandes poupanças no futuro, evitando tratamentos desnecessários, bem como tecnologias dispendiosas e quase incomportáveis para o nosso nível de riqueza.


Temos de ser capazes de trabalhar ainda mais em equipa e de atacar de vez o problema da falta de integração entre os diferentes níveis de cuidados. Sem uma mudança organizacional clara, não será possível oferecer aos portugueses os colossais benefícios que a inovação, no medicamento como noutras tecnologias, vai proporcionar aos povos com sistemas de saúde eficientes e organizados."

Opinião originalmente publicada no Expresso de 5 de dezembro de 2015

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