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Expresso

O Futuro do Crescimento

Subsídios ou incentivos? Duas estratégias opostas para crescer

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A necessidade de ter visão
de longo prazo foi um dos pontos mais sublinhados 
no “Futuro do Crescimento”

Tiago Miranda

Como é que a política deve fomentar o crescimento sustentável, eis a questão

“Gosto de incentivos e odeio subsídios.” Desta forma, sem rodeios, o presidente do Circulo de Empresários de Espanha, Javier Vega de Seoane, marcou a sua posição em relação ao modelo que o poder político deve seguir para fomentar o desenvolvimento estratégico da produção de energia. A questão foi debatida no painel ‘Imperativo do Crescimento Sustentável’, moderado pelo diretor-executivo do Expresso, Pedro Santos Guerreiro.

Por um lado, o presidente da EDP, António Mexia, defende que “precisamos de uma sociedade com maior intervenção política” para promover o desenvolvimento estratégico da produção energética — particularmente relevante para o crescimento industrial —, considerando que “o sector da energia não tem um problema de tecnologia, pois esta apenas procura soluções”.

Por outro lado, Javier Vega defende o contrário de António Mexia: “Não temos um problema de energia, mas de tecnologia.” Mexia e Vega procuram ambos soluções para um crescimento económico, mas defendem caminhos opostos.

O responsável pelo Circulo de Empresários espanhol explica que “têm sido pagos muitos subsídios no mercado da energia, o que atraiu um elevado investimento para determinados tipos de produção de energia, mas, mesmo assim, ainda não foram resolvidos problemas com algumas tecnologias”.

“No caso das energias renováveis, houve uma evolução significativa, com queda de custos, mas ainda há muito por fazer no domínio do armazenamento, pois é expectável que a capacidade das baterias deverá aumentar bastante, sendo muito provável que a tecnologia resolva estes problemas a prazo”, referiu Javier Vega.

“Ineficiências são pagas
pelas tarifas”, diz Javier Vega
O que o empresário espanhol mais questiona na atribuição de subsídios ao sector da energia é o risco de “ser pago dinheiro a operações ineficientes, levando a que os investidores e os fornecedores sejam induzidos a seguir comportamentos errados. Isso é dramático”. O que acontece, diz Javier Vega, “é que os custos das operações ineficientes vão parar sempre às tarifas”.

Para o presidente da EDP, o enquadramento político é determinante. “A política tem de definir as escolhas que a sociedade deve fazer em matéria de energia, para haver um envolvimento mais certo nas soluções que devem ser adotadas para produzir energia, bem como para definir o mix de tecnologias instaladas.”

“Europa deve ser mais ambiciosa”, diz António Mexia
António Mexia considera que as questões ambientais devem ser mais relevantes nas opções que uma sociedade toma pelas tecnologias de produção de eletricidade, admitindo que a Europa deve seguir metas mais ambiciosas na redução dos níveis de poluição dos grandes centros urbanos, fixando padrões para a qualidade de vida que deve ser garantida a quem vive nas cidades. Segundo o presidente da EDP, esta questão “é decisiva para a estratégia seguida no combate às alterações climáticas”.

Na perspetiva de um grande grupo industrial como a Portucel, o seu presidente-executivo, Diogo da Silveira, refere que atualmente a sustentabilidade é fundamental para desenvolver qualquer operação de produção de pasta de papel, seja na Europa, ou em África.

Certificação rigorosa
A potencialidade de crescimento da atividade de transformação da madeira em pasta (pulp) está muito relacionada com uma política de certificação rigorosa da matéria-prima utilizada e com a possibilidade de utilizar essa mesma floresta como benefício na captura de CO2, explica o responsável da Portucel.

Este modelo de certificação também beneficia o grupo no seu negócio de venda de papel no segmento premium: “Uma em cada duas folhas de papel premium vendidas na Europa é feita pela Portucel”, refere Diogo da Silveira.

Finalmente, Toshiyuki Shiga, vice-presidente da Keizai Doyuka e da Nissan, enriqueceu o debate com fatores demográficos: “O envelhecimento das sociedades está a aumentar, o que pressiona a urgência de ter maior percentagem de mulheres a trabalhar.” E “as tecnologias dão resposta às novas necessidades das sociedades”.