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O Futuro do Crescimento

O mundo precisa “perder a visão de curto prazo”

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ANTECIPAR: António Mexia expressou o que melhor ilustra o que se debateu na manhã da cimeira: é preciso “perder a visão de curto prazo" e fazer um "esforço de antecipação” para perceber “o que pode funcionar” no futuro

Tiago Miranda

Fazer melhor uso dos recursos disponíveis e do desenvolvimento tecnológico para contribuir para um futuro mais sustentável foi um dos temas em foco na cimeira organizada pelo Expresso

Foi Visão. Uma das palavras mais utilizadas na primeira parte do “Futuro do Crescimento”. António Mexia referiu-se especificamente a ela “para lutar contra certos estereótipos e tabus”.

Organizada pelo Expresso e pelo Fórum de Administradores de Empresa (FAE), com o apoio da Accenture, a cimeira – que integra o International Summit of Business Think Tank e pela primeira vez passa por Portugal - reuniu hoje uma boa série de personalidades nacionais e internacional para debater pontos de vista sobre os caminhos a percorrer.

O primeiro dos quatro painéis, intitulado “De onde virá o Crescimento”, foi composto por Joseph Minarik, do Research Committee for Economic Development; Paul Nunes, do Accenture Institute for High Performance; Bart Van Ark, do Conference Board; e Gabriel Felbermayr, do Ifo Center for International Economics. A moderação coube a Pedro Santos Guerreiro, diretor executivo do Expresso.

Joseph Minarik respondeu à questão que deu nome ao seu painel com outra pergunta: “De onde virão os desafios à economia no futuro?” O antigo membro de administrações norte-americanas destacou três “essenciais”. Primeiro, o sector energético, onde é necessário “mudar o paradigma” para que haja uma aposta mais consistente nas “energias limpas”. Em segundo, os cuidados de saúde. Tem que se gastar mais “com valor acrescentado” para que possam ser um “fator de crescimento”. Por último, ter em conta os desafios de produtividade e as mudanças demográficas, pois é preciso “mais diversidade e mais capacidades”. Caso contrário, vão-se criar “classes de têm e não têm. E aumentar a desigualdade.”

Pontos que abriram o debate aos restantes participantes e deram fio à discussão. Paul Nunes garantiu que deve-se estabelecer uma “economia circular, acabar com o plano linear de crescimento” que foi norma durante décadas: “Temos que reutilizar, sermos mais inclusivos.” O crescimento, só por si, “não é a resposta para todas as dificuldades que nos afetam.” A “democratização da inovação” a que assistimos ganha, por isso, maior relevância. Mas se há “oportunidades como nunca, falta ainda qualquer coisa para tomarmos máximo partido delas”, disse.

“Acabar com as barreiras”
“Já tivemos hipóteses de seguir em frente e não aproveitamos”, considera Bart Van Ark. “Temos que colocar o motor a carburar para aproveitarmos o que temos ao dispor”. Uma visão para os “próximos 15, 20 anos.” Já Gabriel Felbermayr revelou-se “preocupado com o aumento do protecionismo” porque é necessário haver “uma abordagem global para se entrar numa economia digital.” Não tem dúvidas: “É preciso acabar com certas barreiras.”

A tecnologia pode ajudar. “Está a alargar os limites do crescimento. Com ela, não há limites”, atirou Javier Vega de Seoane - do Circulo de Empresarios – que participou no segundo debate, dedicado ao crescimento sustentável. O painel contou ainda com António Mexia, da EDP; Diogo da Silveira da Portucel; e Toshiyuki Shiga, da Keizai Doyuka. O CEO da energética portuguesa pensa que os “valores entre combustíveis fósseis e energias renováveis ainda são completamente díspares”. Se é essencial “que as pessoas confiem no sistema”, a chave é ter “uma abordagem sustentável para ajudar as próximas gerações”. Mas um factor supera todos os outros: “Perder a visão de curto prazo.” É preciso fazer “um esforço de antecipação”, para perceber “o que pode funcionar.” Algo que pode ajudar neste caminho são subsídios. “Tem que se ter cuidado na sua aplicação mas podem ser importantes”, referiu.

Javier Vega de Seoane prefere chamar-lhes incentivos porque “odeia subsídios”. A energia é fulcral para a sustentabilidade e que, atualmente, “assistimos a um desenvolvimento muito interessante, como por exemplo formas de armazenar a energia para corresponder à curva de necessidade” Toshiyuki Shiga destacou o papel da “tecnologia para responder ao envelhecimento”, Diogo da Silveira entende que “a sustentabilidade é o nosso negocio”, uma vez que as “florestas são essenciais para a captura de CO2”.
A importância da antecipação. Da visão.