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Nova Agricultura

Viu potencial no medronho antes de todos os outros

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A transformação em aguardente de medronho é o objetivo primeiro, mas também vendem ramos para arranjos florais e ainda o fruto fresco

Divulgação

José Martins não ligou aos que lhe disseram que medronheiro era coisa do antigamente. Foi às origens beber a modernidade e não se arrepende. É o último dos 30 exemplos da nova agricultura que se faz em Portugal e que no último mês demos a conhecer em parceria com o Intermarché

Rubina Freitas

A Assembleia da República aprovou recentemente por unanimidade uma resolução sobre a produção de medronho, em que apresenta uma série de recomendações ao Governo para a valorização da atividade. José Martins, um dos primeiros produtores de medronho em pomares organizados em Portugal, fica satisfeito por ver agora as instituições descobrirem um potencial que ele viu há muito.

O produtor sempre esteve ligado à terra. Apesar de ter saído de Pampilhosa da Serra com sete anos rumo a Lisboa, nunca perdeu o gosto pela terra e por isso custava-lhe ver os pinhais em terrenos da família, destruídos pelos fogos que todos os anos fustigam aquela localidade. Foi por querer dar-lhes uma nova cara e por procurar um investimento com bom retorno financeiro que, em 2004, investiu em pomares de medronheiro.

"Ninguém falava em medronho, era uma coisa de antigamente", diz o gestor imobiliário. "Quem colhia medronho era como complemento de atividade, nunca como um investimento", lembra. Mas não se importou com isso e deu o primeiro passo. Hoje tem 50 hectares de plantação, 12 dos quais a produzir. "É um investimento a longo prazo, demora seis anos a dar fruto", explica. "O ano passado foi um ano muito mau para todos e colhemos seis toneladas, este ano espero que sejam 12", antecipa.

A transformação em aguardente de medronho é o objetivo primeiro, mas também vendem ramos para arranjos florais e ainda o fruto fresco, através da empresa Lenda da Beira, criada em 2011 e que vende no mercado interno, mas com o sonho da exportação. Dá emprego a uma pessoa a tempo inteiro, mas entre outubro e novembro costuma ter sete pessoas nas colheitas. "Temos também trabalhos pontuais ao longo do ano, as limpezas e as podas, mas é uma árvore que não exige grande manutenção, daí também a razão do meu investimento", revela o agricultor de 44 anos, que se divide entre Pampilhosa e Lisboa: "É possível conciliar".

José Martins tem respondido positivamente aos contatos das Universidades e outras intuições cada vez mais interessadas em estudar o potencial do medronho. "Fico muito contente com este interesse, ainda bem quem há mais pessoas a pensar como eu e há muito ainda por descobrir", assume. São todos bem-vindos. E há mercado? "Não me queixo", termina.