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Nova Agricultura

Bagaço de uva e outros produtos transformam-se em combustível

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O projeto visa o aproveitamento de vários subprodutos da exploração agropecuária, como bagaço de uva, podas da vinha e de olival, dejetos de animais, entre outros

MARTIN BERNETTI

Já há solução para o 'lixo' agropecuário. A UTAD descobriu uma forma de lhes dar novo uso, em estilhas, peletes e em briquetes e aguarda pela patente

Rubina Freitas

"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", já dizia Lavoisier. A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) inspirou-se na máxima e desenvolveu um projeto que visa o aproveitamento de vários subprodutos da exploração agropecuária, como bagaço de uva, podas da vinha e de olival, dejetos de animais, entre outros, com resultados imediatos no impacto ambiental.

“A ideia é desenvolver um biocombustível sólido, com elevado poder calorifico com vista não apenas ao aproveitamento sustentável de desperdícios e subprodutos agropecuários, mas também contribuir para a redução do consumo de energia primária, através de fontes de energia renovável, em detrimento dos combustíveis fósseis”, explica Amadeu Borges, responsável pelo projeto e investigador da UTAD e do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB). É, portanto, um dois em um. “Transformados em estilha, em peletes e em briquetes, estes serão um biocombustível sólido, cujas principais vantagens serão a valorização económica e energética, mas também enorme potencial técnico, económico e ambiental”, acredita o investigador.

O projeto já tem um pedido provisório de patente. Em simultâneo, a UTAD celebrou recentemente um protocolo com a Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis com vista ao estudo e desenvolvimento de biocombustíveis, que vai incidir no estudo das emissões de gases nocivos ao meio ambiente, resultantes da utilização de biocombustíveis, quando comparadas com as dos combustíveis de origem fóssil, com vista ao seu melhoramento.

O investigador lembra que, nos últimos anos, as fontes de energia renovável se tornaram mais competitivas relativamente aos combustíveis fósseis e à energia nuclear e dá como exemplo a biomassa - resíduos naturais e resultantes da atividade humana na agricultura, floresta, indústria da madeira e subprodutos do cultivo da vinha, apontada como fonte de energia renovável com grande potencial e considerada uma fonte interessante de energia.

“O espectro de aproveitamento energético de biomassa é muito vasto e varia desde os biocombustíveis sólidos, para a combustão direta ou gasificação e combustíveis líquidos como óleo vegetal, bioetanol, metanol, até aos biocombustíveis gasosos como biogás ou gás de síntese. No caso da biomassa, como combustível sólido, a combustão direta tem a maior importância prática para a geração de energia térmica e elétrica”, termina Amadeu Borges.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché