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Nova Agricultura

Abelhas do agreste: a teimosia do (outro) engenheiro

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Neste momento, Afonso Silva tem 308 colmeias e espera atingir 400 colmeias antes do Inverno

Peter Macdiarmid

Foram as abelhas que o procuraram e ele não virou as costas, antes pelo contrário mudou de vida, regressou à terra e está disposto a provar que não há frio nem agreste que o desmotive

Rubina Freitas

O que é que fazia se um enxame de abelhas viesse ao seu encontro? Para Afonso Silva este quadro não foi um cenário, mas uma realidade, que enfrentou de frente. "Todos fugiram e eu fiquei", recorda. "Sempre estive ligado à agricultura por via familiar, mas mais pelo gado e vitivinicultura que a família possuía", revela o jovem, natural de Sobral de Monte Agraço, onde a apicultura não encontra condições idealmente favoráveis, por ser frio e ventoso. Ou não encontrava, até esbarrar na teimosia do finalista de engenharia da Automação, Controlo e Instrumentação da Escola Superior de Tecnologia em Setúbal, que já tendo passado pelo Luxemburgo e África do Sul e depois de ter estado tês anos na Força Aérea, resolveu voltar à terra natal para se tornar apicultor.

"Voltar a Portugal a plena crise atrás de um sonho não sei bem qualificar se é coragem, teimosia", analisa. Com experiência profissional noutra área e em território onde a apicultura não fazia parte do ADN, o nome não podia ser mais apropriado: "Abelhas do Agreste". Neste momento tem 308 colmeias e espera atingir 400 colmeias antes do Inverno. "É um processo evolutivo, tal como uma árvore elas precisam de tempo e cuidados para se desenvolverem. Quando investi, em 2013, tinha apenas 24", recorda.

A apicultura já é um emprego a tempo inteiro. "Entre formações que dou, mel, pólen, enxames e veneno que vendo, já vivo da apicultura", revela. "Mas desengane-se quem pensa ser um caminho sem pedras, com pouco suor e isento de lágrimas", sustenta. "Os dias nas abelhas começam cedo, com o despertador a tocar às 6 da manhã, sobretudo em Abril e Maio", conta. Depois há o trabalho de armazém, que envolve a limpeza, organização e preparação de material. Só em Dezembro e Janeiro é que as abelhas lhe dão algum descanso.

Para já, ainda é maestro solitário da banda das abelhas do agreste. "Espero em 2017 poder gerar um posto de trabalho a tempo inteiro", antecipa. Está em fase de estabilização e a produção de mel não é ainda a desejada: "Este ano espero cerca de 1500kg de mel, pois muitos enxames são ainda novos e precisam de crescer, mas dentro de dois anos espero uma produção de 7 a 10 toneladas", antecipa.

Para além disso escreve um blogue onde vai relatando a experiência. "Conta a minha história desde que era um pequeníssimo apicultor e vai evoluindo comigo", explica. "É ainda uma plataforma que disponibiliza conhecimento gratuito a outros apicultores", resume, sem esconder a satisfação por ser poiso obrigatório de 700 apicultores por semana.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché