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Agricultura de sustentabilidade. Da universidade para o campo

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A Earth Essences produz alcachofra em larga escala para diversas aplicações

FRED TANNEAU

Earth Essences é o nome da empresa que está a produzir, na Póvoa de Lanhoso, plantas em modo biológico para extrair óleos essenciais que vende para farmacêuticas e indústrias da cosmética

Rubina Freitas

Dias que começam muito cedo e terminam muito tarde. É assim a vida do campo. Isto não se aprende na faculdade, mas foi lá - na Escola de Ciências da Universidade do Minho - que tudo começou. Rita Trindade, 26 anos, e André Moreira, 32 anos, ambos com formação em biologia aplicada, conheceram-se no meio académico e foi aí que criaram - com a ajuda de mais cinco sócios - a Earth Essences, que opera na Póvoa de Lanhoso desde 2012. "Dedica-se à produção biológica de plantas aromáticas, medicinais e extração dos seus óleos essenciais", apresenta a sócia-gerente. "Praticamos agricultura de sustentabilidade recorrendo a tecnologia de ponta para extrair de modo disciplinado o melhor que a terra tem", prossegue.

"A Earth Essences surgiu no laboratório de biologia vegetal aplicada na Escola de Ciências da Universidade do Minho, onde eu e o meu sócio trabalhávamos", recorda. "Somos uma spin-off da Universidade do Minho que pretende aplicar o know-how adquirido e desenvolvido naquele laboratório para aplicar à nossa atividade empresarial", acrescenta.

Nem um nem outro tinham experiência fora do laboratório, mas isso não foi impeditivo de se lançarem nesta aventura. "Saímos da universidade para enfrentar trabalho físico intensivo no mundo rural", conta. Se foi fácil? Não, de todo. "Lidamos com diferentes frentes de trabalho, desde o trabalho produtivo, comercial, administrativo, de gestão e o nosso calendário acaba por ser muito dinâmico em constante otimização", descreve a bióloga. "Trata-se de um setor que exige trabalho intensivo e exige atenção sete dias da semana".

A atividade é diversificada e assenta na exploração de nichos de mercado. "Além de produzirmos plantas aromáticas e medicinais em modo biológico, extraímos óleos essenciais destas plantas através da incorporação de tecnologia", revela. "Produzimos alcachofra em escala para diversas aplicações e levamos a cabo trabalho de viveiro de plantas em vaso e em tabuleiro e a ideia passa pela produção de sementes". Tudo isto sem esquecer o berço, ou seja, a universidade."Temos em curso projetos de investigação. Neste momento, por exemplo, temos uma aluna de mestrado a preparar a sua dissertação o que é uma forma de estabelecer pontes com a academia", conta.

Neste momento, a empresa dá trabalho a quatro pessoas, entre elas os sócios-gerentes, e tem como grandes clientes as farmacêuticas e as indústrias da cosmética. "Temos ainda clientes para as nossas plantas aromáticas e medicinais em vaso em feiras, em mercados biológicos e em lojas de revenda destes produtos", revela Rita Trindade. Também exportam para uma farmacêutica alemã. Camomila romana e alemã, tomilho, manjericão e menta estão entre as espécies cultivadas. A ideia é agora "aumentar a produção de plantas secas a granel, extrair óleos em grandes quantidades e penetrar ainda mais nos mercados internacionais", desvenda.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché