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Nova Agricultura

Agricultura combate a exclusão social em Lisboa

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O novo projeto em Lisboa promete oferecer um pólo de recuperação social

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Imagine um sítio onde a agricultura em meio urbano ajuda famílias carenciadas e apoia cidadãos com incapacidades? Não é preciso imaginar mais, basta visitar a Quinta das Carmelitas, em Carnide

Rubina Freitas

O desafio foi feito pela diretora geral da Cerci Cascais, Rosa Neto, à Câmara Municipal de Lisboa. Pediu apoios às instituições de solidariedade na área da deficiência através de trabalho "em vez de subsídios". E a autarquia anuiu. Protocolos assinados, obras feitas e dois anos depois nasceu o "Projeto hortícola integrado da Quinta das Carmelitas".

Situado junto ao Jardim da Luz, em Carnide, o novo espaço público é, sobretudo, local de desenvolvimento de "atividades ligadas à agricultura urbana e de apoio a cidadãos com incapacidades ou em risco de exclusão social". Fruto de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Cerci de Lisboa, a Cerci de Cascais e o Instituto da Segurança Social, o projeto assume o pioneirismo na agricultura social em meio urbano e em modo de produção biológica. As portas já estão abertas e a médio prazo prevê-se a criação de postos de trabalho na área da agricultura e formação para cidadãos com incapacidades ou em risco de exclusão social. No plano está ainda a implantação de uma área para que famílias em risco extremo de pobreza produzam os seus próprios alimentos, e o desenvolvimento de atividades de horticultura terapêutica e a criação de um posto de venda de produtos hortícolas, com preços de produtor.

A diretora da Segurança Social de Lisboa, Fernanda Fitas, acredita que esta é uma oportunidade de "desenvolver emprego protegido" e defende que a iniciativa " demonstra grande sensibilidade para ajudar o outro, para ajudar as pessoas". A abertura da quinta "às escolas e às crianças" é fruto de "um percurso difícil mas estimulante", afirmou, por seu turno, Julieta Sanches, presidente da direção da Cerci Lisboa.

Depois do protocolo, assinado pelo vereador José Sá Fernandes e as entidades parceiras em 2014, a quinta foi sujeita a várias intervenções destinadas à revitalização de toda uma área com cerca de 6 hectares que conta agora com uma grande área para parque hortícola, e ainda com um caminho misto para peões e bicicletas. Foi ainda recuperado o sistema de rega e procedeu-se à demolição de equipamentos existentes obsoletos. "Vamos fazer com que esta quinta volte a ser uma quinta, que tenha as funções que sempre teve, agrícolas e hortícolas", disse na altura José Sá Fernandes.

Com entrada livre, o parque está aberto todos os dias entre as 9h e as 20h00 no período de verão, e das 9h às 17h30 no período de inverno.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché