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Nova Agricultura

Jovens criam maternidade de bivalves no Algarve

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O principal objetivo da Mirabilis passa pela produção de semente de ostra

Tiago Miranda

A ideia é que os aquicultores não vão buscar lá fora ostras que podem ter cá dentro, preservando assim uma espécie nacional. Tem um ano de vida, já ganhou prémios de empreendedorismo nacional e luta para se implementar no mercado

Rubina Freitas

Sabia que não há stocks naturais de ostra em Portugal, o que obriga os ostricultores a importar semente de uma espécie não endémica a maternidades do estrangeiro? Provavelmente não, mas Maurício Namora, biólogo marinho e Márcia Santos, mestre em Aquacultura e Pescas não só sabem, como arranjaram uma solução para o problema.

Há um ano criaram a Mirabilis, uma start-up da Universidade do Algarve, cuja atividade principal é a produção de semente de ostra, precisamente para colmatar esta lacuna. "A Mirabilis centra-se na produção, em ambiente de maternidade, de juvenis com semente de ostra portuguesa, apostando na investigação e otimização das técnicas de produção, de modo a responder, através da marca portuguesa Angulata, às necessidades dos mercados nacional e internacional", explica Márcia Santos.

E como é que isto se faz? "O processo inclui a estabulação de reprodutores, obtenção de gâmetas, cultivo larvar, cultivo pós-larvar e cultivo de juvenis/semente", descreve. E parece simples. A dificuldade maior é fora do laboratório. A ideia já foi distinguida pela inovação e agora luta para conquistar um lugar no mercado. "Apesar de defender um produto português, e enquadrado no necessário desenvolvimento da economia azul, têm sido muitas as barreiras e dificuldades encontradas para a sua implementação", lamenta a investigadora, que dá conta de que já há produção de semente de ostra portuguesa no Algarve.

A Mirabilis foi uma das ideias de negócio vencedoras do concurso 'Ideias em Caixa 2013', promovido pela Universidade do Algarve, e, segundo os responsáveis, foi este o “grande arranque” da empresa. “Permitiu-nos, não só trabalhar a nossa ideia, mas também adquirir mais competências, conhecer outros empreendedores, trocar experiências, elaborar um plano de negócios e arrancar com a fase piloto.” O ano passado venceu a 2.ª edição do Prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola.

Os dois empreendedores acreditam que “uma boa ideia é fundamental, mas esta tem de ser, impreterivelmente, acompanhada de uma grande força de vontade, empenho e persistência.” Cientes de que “sempre irão surgir dificuldades”, continuam a acreditar que “a dedicação e perseverança são o caminho”.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché