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Nova Agricultura

O empreendedorismo cheira a lavanda em Castelo de Vide

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A lavanda está no coração do empreendimento agrícola de Teresa Tomé e Estevão Moura

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

Um casal troca a vida da cidade pelo campo e a tranquilidade da reforma pelo reboliço de começar um projeto único em Portugal. Bem-vindo à Quinta das Lavandas

Rubina Freitas

Quem olha para os campos lilases a perder de vista em Castelo de Vide, dificilmente pensa que esta história de empreendedorismo depois dos 50 anos começa em Lisboa, com um anúncio no Expresso. Mas foi mais ou menos assim.

Teresa Tomé e Estevão Moura, consultora de sistemas de informação e gestor de empresas, respetivamente, sabiam que não queriam viver na cidade o resto da vida. Filhos já criados, um economista, outro engenheiro agrónomo, decidiriam que iam comprar uma quinta e dedicar-se à produção de qualquer coisa. Já tinham passado dois anos e ainda não tinham encontrado uma que lhes enchesse as medidas, quando viram o anúncio de uma propriedade em Castelo de Vide, uma terra que Teresa Tomé conhecia bem devido às deslocações que fazia profissionalmente. Não ficaram com as terras anunciadas, mas isso levou-os ao que hoje é a Quinta das Lavandas, um três em um: Uma plantação de lavanda, a fazer lembrar as de Provença, França, onde também se faz a transformação através de destilaria, e que é ainda um turismo rural.

Mas até chegar aqui, não foi fácil. "Era uma quinta normal, com uma várzea, uma horta, um olival, vinhas", recorda. "Não sabíamos bem o que havíamos de cultivar, primeiro experimentámos pimento, mas não é fácil fazer um investimento agrícola", conta a economista de formação. Passaram-se uns anos, com um pé em Lisboa e outro em Castelo de Vide, até um artigo os ter levado à lavanda e progressivamente a se mudarem de armas em bagagens para o Alentejo.

Hoje são cinco hectares de lavanda e lavandim, vindos de França, cultivados de forma biológica, que, depois de colhidos, são transformados em óleos essenciais, águas perfumadas, cosméticos, bolachas, biscoitos, infusões, tisana, artesanato (os famosos saquinhos perfumados), mel e azeite que são vendidos numa loja própria em Castelo de Vide e escoados para um revendedor de produtos biológicos em Lisboa. "Os nossos hóspedes também compram muita coisa", revela a agricultora, que dá emprego permanente a duas pessoas, uma no turismo, outra no campo e ainda contrata mão-de-obra temporária nos picos de trabalho, como na altura de colher a lavanda.

Teresa Tomé não esconde o orgulho de terem sido os primeiros a cultivar lavanda em Portugal."Existe em França, nos EUA, na Austrália, mas no Alentejo foi muito inovador", regozija-se. Aprenderam a fazer tudo no campo. "É uma vida árdua", reconhece, mas tudo compensa quando abrem as porta da quinta. "Agrada-nos partilhar este espaço que construímos com os outros", assume. Mas a história não fica por aqui. O casal está neste momento a estudar a forma de levar os produtos da quinta a mais pessoas, aperfeiçoando a fileira de revenda. O empreendedorismo no Alentejo não tem idade e cheira bem.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché