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Nova Agricultura

Aldeia do Futuro procura jovens agricultores

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Para consolidar esta nova vaga de agricultores, o projeto Aldeia do Futuro disponibiliza formação para os jovens e oferece apoio

David Ramos

Baião já recuperou três aldeias e está pronta a receber uma nova vaga de empreendedores que queiram apostar num regresso às origens. Agricultamos?

Rubina freitas

Aldeias envelhecidas, ao abandono, quase mortas. O futuro não tem de passar por aí. Em Baião, no Porto, não passará certamente, já que é o berço do projeto Aldeia do Futuro, iniciativa que visa recuperar aldeias nacionais para que sirvam de incubadoras de projetos ligados à terra.

A ação tem um ano, está a dar os primeiros passos, mas as flores fazem antever uma boa colheita. "É dirigido a jovens que querem abraçar novos desafios e que não querem ser 'obrigados' a deixar o seu país ou a abraçar profissões que não os realizem", explica António de Souza-Cardoso, presidente da AGAVI - Associação para a Promoção da Gastronomia e Vinhos, promotora do projeto. "Estamos muito animados, mas também numa fase de investimento sobre os índices altos de formalidade e burocracia que estão associados aos nossos sistemas de incentivos", explica.

Para consolidar esta nova vaga de agricultores, o projeto Aldeia do Futuro disponibiliza formação para os jovens agricultores e oferece apoio tanto na procura ativa de terrenos como na "criação de negócio, logística, distribuição, embalagem, marketing e comunicação". António de Souza-Cardoso prefere não falar de casos individuais. "Não queremos destacar ainda nenhum porque fazem parte da campanha que queremos que possa contagiar os portugueses para a oportunidade de apostarem nos negócios do território.”

No entanto, não esconde o entusiasmo. "Estamos muito otimistas com a recetividade que temos tido e acreditamos que este exemplo será capaz de estimular uma nova geração de empreendedores", assume. "Estaremos nos próximos dois anos em muitos mercados internacionais com algumas dezenas de empresas, ainda jovens mas à procura de um espaço novo, numa globalização que se liberte das grandes multinacionais e que pratique um comércio justo e colaborativo, privilegiando os produtos tradicionais e os processos de agricultura integrada ou biológica que estamos a estimular", acrescenta ainda.

Neste momento já foi criada a Inova Baião, incubadora para os negócios do espaço rural, e recuperadas três pequenas aldeias do concelho, que receberão os agricultores que vão implementar projetos com uma atitude ligada à sustentabilidade e ao aproveitamento dos recursos endógenos. A par disto foi lançado o movimento 'Agricultar', que visa incutir aos portugueses a ideia de que a terra não é um bicho papão e pode ser uma oportunidade.

O passo seguinte é consolidar a 'Aldeia de Futuro' em Baião, mas já pensam em alargar a outras zonas do país. "Temos recebido propostas tão diferentes como localizar uma aldeia de futuro em Belmonte ou em Cascais", confidencia o responsável. "Julgo que há um movimento muito positivo nesta área e que o Agricultar e a Aldeia do Futuro surgirão como novos catalisadores de negócios, de maior sustentabilidade e valor acrescentado", prossegue.

O presidente da AGAVI acredita mesmo que o movimento é um regresso à matriz agrícola, que, lembra, é “muito mais antiga e relevante da de países que estão a fazer muito dinheiro" com o espaço rural. "Não há nenhuma razão para que Portugal não aproveite o melhor que tem para se afirmar como um país de grande vocação exportadora nas indústrias agroalimentar, turística e do mar", conclui.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché