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Nova Agricultura

Plantas portuguesas a desabrochar pela Europa

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A Raiz da Terra manda, por encomenda, plantas bebés para a Península Ibérica, Holanda, França e está a conquistar a Alemanha e Inglaterra

D.R.

Raiz da Terra é o nome da empresa que já produz 3,5 milhões de plantas ornamentais por ano, 80% das quais para o mercado externo

Rubina Freitas

Quando um amigo holandês desafiou José Martins a dedicar-se à propagação de plantas ornamentais, alegando as boas condições climatéricas e de mão-de-obra, o jovem engenheiro florestal riu-se. Mas "por brincadeira", juntou-se a dois sócios para plantar a semente do que viria a ser a 'Raiz da Terra', em Vila Praia de Âncora, no norte litoral do país. Estávamos em 1998.

"Metemos a cabeça no cepo", ironiza. "Quando se começa é preciso ter alguma irresponsabilidade", prossegue. "Comprámos umas estufas velhas e durante três anos adquirimos muito conhecimento na área das plantas ornamentais, mas também perdemos muito dinheiro", confessa. Foi o momento crucial. "Ou fechávamos ou avançávamos para uma coisa mais séria", explica.

Está fácil de ver a opção tomada. Numa fase inicial, a exportação para a Holanda era o único mercado, mas depois resolveram que era tempo de chegar a Portugal. "Os padrões exteriores são muito mais elevados, o que foi bom, porque quando entramos em Portugal e Espanha as coisas foram mais fáceis", assume.

Hoje a Raiz da Terra manda, por encomenda, plantas bebés para a Península Ibérica, Holanda, França e está a conquistar a Alemanha e Inglaterra. "Nós só trabalhamos a planta pequena, fazemos a reprodução, são os nossos clientes que fazem a engorda, as põem em vaso e depois em hortos e jardins", esclarece. "Se isto fosse um aviário, fazíamos o pinto do dia", clarifica.

A água em abundância e a proximidade ao mar são mais-valias que contrariam o reverso desta história, que é o facto de se tratar de uma zona de minifúndio. Ainda assim, não há queixas. A empresa dispõe de 2.5 hectares de área coberta, 1.5 hectares de ar livre e 10 hectares de plantas mãe. São 3,5 milhões de plantas por ano, de cerca de 800 variedades, 80% das quais para exportação. "Em termos de produção é uma chatice esta variedade toda, mas como tocamos vários mercados é uma mais-valia", conta. Best seller? A camélia, mais conhecida entre nós como japoneira. A Raiz da Terra dá trabalho a 23 pessoas, entre elas três técnicos superiores. "É uma empresa jovem, com a média de idades a rondar os 30", revela o engenheiro florestal.

Além das plantas ornamentais, a empresa está a chegar agora aos pequenos frutos, aproveitando "a moda". José Martins quer consolidar os mercados existentes e não fecha a porta à entrada noutros mercados europeus, deixando assim a velho continente mais florido com semente nacional.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché