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Nova Agricultura

Nasceu entre kiwis, cresceu entre kiwis e não se farta deles

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Kiwi Greensun soma 176 hectares de produção. Empregam 55 pessoas no cultivo, 25 no armazém

JEAN-PIERRE MULLER

A história de um miúdo que ia a conferências e palestas sobre um fruto pouco conhecido em Portugal e como mais tarde se tornou um dos maiores produtores na Península Ibérica

Rubina Freitas

Se encontrar kiwis portugueses hoje não será tarefa difícil, na década de 80 do século passado as coisas não eram assim. E é precisamente por essa altura que começa esta estória que chega a 2016 com uma produção de 4500 toneladas deste fruto rico em vitamina c.

Comecemos pelo início em Bragança. O pai de Vítor Araújo não estava contente com a vida agrícola nas suas terras em Trás-os-Montes e decide mudar-se para Felgueiras, onde adquiriu uma propriedade que tinha uma vacaria e ainda produção de vinho verde. Numa sessão de apresentação de novos produtos, conheceu o kiwi e teve a visão dos empreendedores.

Vítor Araújo acompanhava o pai nessas conferências e cresceu a ver a teimosia do pai para fazer o fruto vingar. Começou com dois hectares e sem sucesso imediato. Mas insistiu e a pouco e pouco os kiwis impuseram-se às vacas e as uvas.

O filho cresceu neste ambiente e não foi surpresa quando optou pela Escola Agrícola de Santo Tirso. Na hora de entrar para Universidade a ideia era clara e óbvia: Engenharia Agrícola, mas a média trocou-lhe as voltas. Vítor Araújo ainda fez o primeiro ano de Gestão. "Não me dizia nada", conta. Então o pai sugeriu arrendar-lhe em 1993 um terreno com 16 hectares do fruto que seria o negócio da família até hoje. Daí a comprar terras foram mais meia dúzia de passos até que, em 2004, realiza o sonho de ter o seu próprio armazém, controlando assim todos os passos da produção.

Nascia a Kiwi Greensun, em Guimarães. "Até 2003 éramos só produtores, o volume de produção era já grande e surgiu a ideia de criarmos a Kiwi Greensun. Dessa forma podíamos colher os nossos kiwis, metê-los nas câmaras frigoríficas e ir vendendo ao longo do ano durante o período de conservação de sete a nove meses, entre novembro e abril." Leu bem, é possível conservar kiwis - que são frutos de cultura permanente colhidos entre setembro e novembro - durante tanto tempo.

Começou com uma capacidade de 1500 toneladas em armazém, mas pouco depois alavancou a produção própria ao fazer sociedade com a família Cordeiro, que também estava no ramo. Somam 176 hectares de produção. A aposta foi bem sucedida tanto que duplicaram a capacidade de armazenamento. Não contentes, passaram também a receber fruta de outros produtores. Juntos são 260 hectares. Empregam 55 pessoas no cultivo, 25 no armazém.

Os kiwis saem da unidade refrigerada e entram numa linha de triagem, onde cada fruto é selecionado de acordo com o calibre e embalado para o cliente final. 70% da produção é exportada, sobretudo para Espanha.

Vítor Araújo mantém a paixão do miúdo que ia a conferências ouvir sobre um fruto verde de que pouco se sabia por cá. É consumidor inveterado. "Compro muitos kiwis para saber como anda a concorrência", assume.

Retira exemplares das cinco variedades de kiwis que tem armazenado para "ver como se comportam". O kiwi corre nos genes e já tem três críticos em casa. "Os meus filhos comem desde que o pai descasque", ri-se. "Só não gostam dos amarelos", termina.

Até 26 de julho de 2016, acompanhe de segunda a sexta um caso nacional de inovação agrícola, com o apoio do Prémio Produção Nacional, um projeto do Expresso e do Intermarché