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Expresso

Mês do Ambiente 2015

Ideias Verdes: sustentabilidade higiénica

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PREVENÇÃO: hábito de utilizar sabonete ajuda a controlar a propagação de milhares de doenças

Alain Jocard

Erin Zaikis criou um projeto de fabrico e recuperação de sabonetes para as populações mais desfavorecidas em países como a Índia ou o Haiti

Lavar as mãos antes de ir para a mesa, a seguir a uma ida à casa de banho, lavar as mãos porque sim - porque precisamos e porque não precisamos - parece-nos normal e fazemo-lo de forma intuitiva. É de tal forma comum que não nos apercebemos que com este hábito controlamos a propagação de milhares de doenças e esquecemo-nos que no mundo há milhões de crianças a morrer de doenças que podiam ser prevenidas com recurso apenas a água e sabonete.

Erin Zaikis (clique AQUI para ver a sua explicação) não se esqueceu - aliás, foi forçosamente lembrada - e desde aí não descansou enquanto não fez tudo o que estava ao seu alcance para resolver o problema. Erin é daquelas miúdas que vivia com a urgência de mudar o mundo e que não consegue ficar de braços cruzados face a um problema. Neste caso a solução foi o sabonete.

Depois de uma ida à casa de banho, no campo de refugiados onde fazia voluntariado, além de se aperceber que não havia sabonete, concluiu que as crianças desconheciam o conceito. Foi até à aldeia mais próxima, comprou todo o sabonete possível e apresentou-o às crianças (que reagiram com estranheza).

"Sabia que o mundo era injusto, mas não sabia mesmo o que fazer quanto a isso. Não tenho um pós-doutoramento. Não tenho ligações à ONU. Mas o sabonete é tão simples. Encontrei uma pequena coisa básica com a qual podia fazer qualquer coisa", contou à Global Citizen. E foi assim que tudo começou: diretamente da Tailândia para a sua pequena cozinha em Nova Iorque começou a fazer sabonete. Primeiro reuniu dinheiro e fez os possíveis para que a escola tailandesa tivesse sabonete durante um ano, depois começou a fazer sabonete em casa: "Acredito que estar limpo é um direito. O meu sonho é dar a mais pessoas este direito."

Não contabilizamos o número de vezes que lavamos as mãos, também não contabilizamos os sabonetes que desperdiçamos. Erin percebeu que com os desperdícios podia fazer novos sabonetes, ao raspar a parte que esteve em contacto com a pele, depois fervendo-o com uma solução à base de lixívia e, por fim, moldava um novo.

Hoje já expandiu a operação utilizando os sabonetes que são deixados nos hotéis de quatro e cinco estrelas na Índia. E forma mulheres a quem dá noções de higiene e a quem ensina a recicla-los. Sundara (bonito em sânscrito), organização que criou, já fornece sabonetes a 30 escolas e orfanatos na Índia, Haiti e no Gana, e permite também que mulheres de favelas tivessem acesso ao primeiro trabalho.

Erin faz com que mais sabonetes não vão parar às lixeiras e leva higiene a quem não fazia ideia do que higiene era.

Em novembro, de segunda a sexta, o Expresso Diário traz-lhe ideias para preservar o ambiente