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Vasco Pedro, CEO da Unbabel

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Nuno Botelho

"Competimos com os melhores investigadores e inventores. Inovamos em tecnologia e modelos de negócio e em breve será óbvio que quando se pode criar uma empresa em qualquer lugar, o melhor sítio para o fazer é Portugal"

Portugal está a sair de uma crise complicada que tornou difícil a vida de uma grande parte da população. Uma consequência imprevista desta crise foi um aumento enorme na capacidade de risco por parte de uma geração que não sente segurança em empregos disponíveis. Isto vai ao encontro e é amplificado pela onda de emprendedorismo que se espalha pelo mundo. Dentro da tese de "Software Eating the world" há inúmeras oportunidades que são capitalizadas pela maior facilidade em criar empresas de base tecnológica, maior acesso aos mercados e maior acesso a capital de risco.

Portugal está a evoluir de um país de serviços virados para dentro para um país de serviços que têm como objectivo uma escala global. E têm capacidades para o fazer. Temos um população educada, que fala várias línguas, que se adapta facilmente a nova realidades, e que têm uma capacidade enorme de improviso e imaginação. Temos um país que é estável politicamente, seguro com um excelente clima, serviço de saúde e educação. É um país que, num mundo com mobilidade global, é dos melhores locais para se viver, construir uma empresa e um criar uma família. O ultimo obstáculo começa a ser ultrapassado, termos nós próprios a consciência do nosso valor e do nosso potencial.

Os sinais objectivos são facilmente encontrados, temos empresas com investidores internacionais, com equipas reconhecidas mundialmente, com uma força de trabalho excelente. Competimos com os melhores investigadores e inventores. Inovamos em tecnologia e modelos de negócio e em breve será óbvio que quando se pode criar uma empresa em qualquer lugar, o melhor sítio para o fazer é Portugal.

Penso que a realidade que se vive neste momento no mundo das Startups não é igual à que se vive noutros sectores. Em tecnologia à praticamente desemprego zero, por exemplo. No entanto, à medida que as empresas de agora se tornarem os gigantes de amanhã, será necessário todo o outro tipo de pessoas que colaborem no crescimento destas empresas, todo o tecido à sua volta é afectado pelo crescimento.

Sei que isto não vai ser necessariamente fácil, que a mudança é dolorosa e que esta realidade não afectará toda a gente em tempo útil, mas penso que apenas aceitando que o mercado global é o mercado de qualquer PME se poderá alcançar or níveis de sucesso e crescimento que por sua vez irão afectar toda a nossa sociedade.