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Ricardo Parreira, CEO da PHC

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"São poucos os gestores que têm uma estratégia alinhada, embora a tendência esteja a reverter. As empresas fazem-se de pessoas. E as pessoas são quem elevam a empresa e ainda merecem pouca atenção por parte dos empresários."

É sabido que os portugueses gostam muito de ‘pôr a mão na massa’, mas param pouco para pensar. É cultural. São poucos os gestores que têm uma estratégia alinhada, embora a tendência esteja a reverter. As empresas fazem-se de pessoas. E as pessoas são quem elevam a empresa e ainda merecem pouca atenção por parte dos empresários.

Gosto de pensar que a PHC é um exemplo de sucesso e garanto que ser um best place to work traz um excelente retorno do investimento feito.

Estamos finalmente a evoluir de uma visão de ‘tecnologia como custo‘ para tecnologia como ‘fator de competitividade ‘, ou seja, os gestores começam agora a ter a visão de que a tecnologia é uma ferramenta poderosa para aumentar a produtividade das organizações e, essencialmente, das pessoas.

Paralelamente existem oito máximas que vejo como mandamentos para a PHC.

Em primeiro lugar, a definição da cultura que a empresa quer ter. A par dos resultados vem a cultura. É importante que haja um conjunto de valores que sejam a história da organização. Mais do que construir esta cultura, é evolui-la de forma constante. Não se faz de um dia para o outro; é um mind set e por isso, um grande mas importante desafio.

Em segundo lugar, a profissionalização da cultura. Há que ter a audácia para mudar o quê e quem não se adequa à cultura da empresa. Formar os colaboradores é crucial para a coerência e solidez.

Como não poderia deixar de ser: o recrutamento. É imprescindível que os colaboradores já sejam detentores dos valores da empresa e desistir da contratação de “tudo o que vem à rede é peixe”. Recrutar o filho do amigo por mero favor (chamado de ‘Fator C’) não vai trazer resultados. Há que usar os estágios profissionais para encontrar futuros colaboradores e exterminar a ideia de que os estagiários são apenas mão-de-obra barata.

Fundamental é também envolver as pessoas e obter o seu compromisso. Este ponto, além da importância que encerra em si mesmo, leva-nos a outro, também ele primário - executar com perfeição. Este último talvez seja o mais ambicioso de se conseguir, mas no dia em que desistirmos desta máxima estaremos a desistir da N/ empresa.

Já no plano externo da empresa: o Serviço ao Cliente. Não existem grandes exemplos nacionais nesta área, o que revela bem o estado da Nação. No caso de uma PME, esta tem que ser ‘a máxima ‘. Pagar de forma justa para evitar a rotatividade dos colaboradores e aumentar a fidelização dos clientes. O cliente fideliza-se a pessoas, principalmente em PMEs.

Numa perspectiva de solidez e ambição a longo prazo, não podemos deixar de fora o pensamento estratégico. Por norma são duas palavras que, juntas, assustam. Os empresários estão tão envolvidos na execução que deixam de se debruçar sobre o que deve ser a estratégia. É preciso obrigar a parar. E a pensar. E a repensar. O fim do ano pode ser tarde demais. A estratégia deve ser revisitada. Não é algo que se define num momento, comunica-se, implementa-se e guarda-se na gaveta.

Por último, a confiança coletiva. Este sentimento tem que ser transversal a toda a empresa. A empresa tem que confiar que o futuro vai ser melhor. E se a empresa tem esta linha de pensamento, então a postura dos profissionais é não só de serem melhores como serem OS melhores. Agora, as empresas vivem com mais otimismo e (só) assim sobrevivem. Isto provoca uma maior vontade para investir e uma maior atenção ao retorno do investimento – facto potenciado pela crise.